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Não existe esporte mais ou menos motivante

Renato Miranda 05/06/2017 SAÚDE E BEM-ESTAR
Não existe esporte mais ou menos motivante
Fonte: imagem Pixabay
Tipos de motivação no esporte: intrínseca e extrínseca

por Renato Miranda

Tanto no esporte, como na vida cotidiana, ao considerarmos a motivação como energia psicofísica que dá intensidade ao nosso esforço para atingirmos nossos objetivos, pode-se dizer então que este é o fator de nossas vidas que dá início, dirige e integra nosso comportamento. Portanto, tudo aquilo que fazemos, com menos ou mais intensidade, do início ao fim da atividade, depende do nosso nível de motivação.

A qualidade dessa energia – motivação - tem duas origens: intrínseca e extrínseca. A primeira, motivação intrínseca é chamada também de pessoal ou inconsciente visto que esta representa o desejo interior para atingir algum objetivo ou satisfazer determinada necessidade.

É a força psíquica que todos nós possuímos que nos leva empenharmos em uma determinada atividade por vontade própria sem termos exata consciência, repercussão ou “ganho” pessoal. Neste caso a satisfação em realizar algo é o “impulso” principal.

Isso explica o motivo de escolhermos praticar um esporte, por exemplo, sem sabermos exatamente o porquê dessa escolha, mas não resistimos à atração e vamos em busca de algo que nem imaginamos ao certo o que seja. Pergunte a um garoto em tenra idade o porquê do mesmo gostar de praticar determinado esporte. Possivelmente você terá uma resposta lacônica do tipo: “Por que eu gosto!”.

A motivação intrínseca pode ainda ser subdividida em motivação intrínseca para atingir objetivos (metas), que se caracteriza por um forte impulso em direção a um determinado objetivo pelo simples prazer de conquistar aquilo que inconscientemente foi pretendido. A característica principal aqui é a busca pela conquista, mesmo não sendo claro para as outras pessoas o ”valor” da conquista.

Um ótimo exemplo dessa motivação é quando escutamos alguém dizer: “Para que tanto sacrifício e dedicação? O que você ganhará com isso?”.

Outra subdivisão da motivação intrínseca é a motivação para conhecer. Neste caso a energia motivadora se relaciona com o desejo pessoal de conhecer coisas novas. É a força da curiosidade!

Ao mesmo tempo, é bom lembrar, um estímulo para conhecer algo pode ser avaliado por outras pessoas como algo não motivante, o que reforça a característica pessoal e inconsciente. Ou seja, a pessoa motivada é intrinsecamente impulsionada a investir em determinada experiência pelo simples prazer em conhecer. Um ótimo exemplo dessa manifestação da motivação é a curiosidade em aprender coisas novas que muitas pessoas têm desde em tenra idade. Por exemplo, gosto pelo estudo e por novos aprendizados.

A última subdivisão é a motivação intrínseca para experiências estimulantes. Com forte traço pessoal, esta energia está ligada às experiências que a pessoa considera excitante, que geram fortes emoções, divertimento e prazer. A pessoa tem satisfação em empreender esforços constantes a fim de cumprir determinadas tarefas, mesmo tendo que investir altos sacrifícios pessoais.

 Especialmente, um bom exemplo são os praticantes amadores de esporte radicais. Estes, na maioria das vezes, empregam um forte esforço físico e psicológico (escalar montanhas, por exemplo), pelo simples prazer de usufruir tal experiência.     
 
Motivação extrínseca

A motivação extrínseca, por outro lado, é caracterizada por fatores externos, e é reconhecida também como motivação ambiental ou consciente. São fatores com conteúdos objetivos representados no esporte, por exemplo, por troféus, elogios, bolsas de estudo, equipamentos adequados, bom programa de treinamento e salários.
Para todos esses fatores terem seus efeitos motivacionais pretendidos é necessário considerar a avaliação subjetiva daquele que está envolvido na atividade. Assim, aquilo que pode ser muito motivante para uma pessoa para uma segunda pode não ter o mesmo impacto.

 Talvez seja por isso que não existe esporte mais ou menos motivante, o quê existe é tendência pessoal. Para alguns nada mais motivante do que jogar futebol, por outro lado, para muitos, o futebol não passa de um esporte aborrecedor e preferem, por sua vez, deslizar em uma prancha de surfe.

Assim como a motivação intrínseca, a motivação extrínseca pode ser subdividida em motivação extrínseca regulada externa que se caracteriza por uma forte influência de características ambientais, como por exemplo: prêmios, reconhecimento de pessoas próximas e da mídia e satisfação em perceber a alegria alheia (treinadores, amigos, torcida etc) pelos seus esforços e conquistas.

Uma segunda, subdivisão é a motivação extrínseca introjetada. Esta motivação se caracteriza pela influência de outras pessoas que “impregnam” a pessoa motivada, com valores pessoais (tudo aquilo que é importante para alguém!). São as influências de pais, treinadores, professores e amigos.

Em consequência, há geração de uma energia própria a fim de ir ao encontro de determinado objetivo que se torna pessoalmente importante. Dessa forma, a tentativa de um melhor desempenho é como se fosse uma excitação constante.

Por último, temos a motivação extrínseca identificada. Aqui a pessoa tem consciência do valor da atividade que a mesma se realiza. É o caso de atletas que além de serem impulsionados inconscientemente para a prática de um determinado esporte, identificam o reconhecimento e a repercussão do mesmo em termos pessoais e sociais. Ou seja, a possibilidade de desenvolvimento próprio e de valores ambientais como: bons salários, reconhecimento e importância social e outros.

Ao avaliarmos a tipologia da motivação descrita acima, é notório que a interação dos fatores pessoais (motivação intrínseca) e fatores ambientais (motivação extrínseca) é que compõem um bom nível de comportamento motivado. Como “matéria-prima” ou base da motivação, a parte intrínseca é pré-requisito para qualquer ação. No entanto, a parte extrínseca é importante no sentido de auxiliar a manter o comportamento motivado.




TAGS :

    tipologia, motivação, extrínseca, intrínseca, esporte

Renato Miranda

Professor da Faculdade de Educação Física da UFJF; Mestre e doutor em Psicologia do Esporte (UGF); Especialista em didática e psicologia do esporte na Alemanha (Escola Superior de Esporte Alemã - Colônia) e Rússia (Instituto de Cultura Física de Moscou); Consultor de atletas em psicofisiologia (concentração, estresse. motivação e flow-feeling).



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