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Derrame aumenta chance de depressão

Joel Rennó Jr. 01/01/2016 SAÚDE E BEM-ESTAR
Pessoas com depressão têm risco quase três vezes maior de sofrer AVC

por Joel Rennó Jr.

A incidência de depressão é alta e preocupante em pacientes que sofreram AVC, o conhecido acidente vascular cerebral ou 'derrame'. Eles costumam ter uma chance maior de depressão. Segundo um estudo atual realizado pelo neuropsiquiatra Renato Marchetti (HC-USP) e colaboradores, a prevalência de depressão nesse subgrupo de pacientes é de 35,5% dos internados, com pico de incidência entre o terceiro e o sexto mês após o derrame. O problema é que o diagnóstico é insatisfatório. Ou seja, grande parte desses pacientes não são tratados da depressão.

Entre os fatores que funcionam como gatilhos para a depressão pós-AVC incluem-se o estresse gerado pelas limitações físicas causadas pela doença neurológica, além do possível isolamento e abandono familiar.

Fatores orgânicos associados e outras doenças, além de algumas medicações utilizadas no tratamento de tais repercussões clínicas, também podem causar depressão.

Autonomia funcional

O inverso também é verdadeiro. Pessoas com depressão têm risco quase três vezes maior de sofrer AVC. Quando a depressão de pacientes que sofreram derrame não é tratada, há piora substancial da psicomotricidade, das funções cognitivas (memória) e maiores chances de outro episódio de AVC. Uma das principais necessidades humanas, para o idoso ou qualquer outro, é a chamada autonomia funcional. É a capacidade que a pessoa tem para valer-se de si mesma, interagir com o ambiente e satisfazer suas necessidades.

As características da síndrome depressiva nos pacientes com AVC, são similares às dos outros episódios depressivos. Hoje, a ciência descobriu que há um subgrupo de pacientes do tipo com maiores chances de desenvolver depressão. Aqui, incluem-se os pacientes com atrofia do córtex cerebral (diminuição do volume do cérebro), um episódio prévio de derrame ou mesmo depressão e histórico familiar dessa doença.

A presença de depressão atrasa muito a recuperação de pacientes com acidente vascular cerebral, piorando as seqüelas neurológicas como os distúrbios da linguagem, motricidade, alterações de sensibilidade, dores e perda de memória. Esses pacientes se engajam de forma insatisfatória aos tratamentos medicamentoso e fisioterápico, o que é um dado alarmante, já que diminui as chances de sobrevida. Estudos também apontam que pacientes com depressão pós-AVC têm uma mortalidade 50% maior em relação àqueles sem depressão, no seguimento de um ano.

Hoje, felizmente temos medicações antidepressivas que podem rapidamente tratar essas depressões secundárias. Porém, repito, o maior problema é a falta de uma abordagem precoce eficiente, realizada por meio de uma avaliação clínica inicial completa e precisa. A psicoterapia de enfoque cognitivo-comportamental também é eficaz e fundamental. Familiares de pacientes que têm o problema devem ficar atentos aos sintomas e sinais de depressão nos primeiros meses depois do AVC. Isso pode efetivamente salvar vidas e melhorar o bem-estar e a qualidade de vida dessas pessoas que tanto sofrem com os limites impostos pela doença.




Joel Rennó Jr.

Dr. Joel Rennó Jr. MD, Ph.D. Professor do Departamento de Psiquiatria da FMUSP. Diretor do Programa de Saúde Mental da Mulher - Instituto de Psiquiatria da USP. Médico do Corpo Clínico do Hospital Israelita Albert Einstein- São Paulo. Coordenador da Comissão de Estudos e Pesquisa de Saúde Mental da Mulher da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). www.psiquiatriadamulher.com.br



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