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Avareza e generosidade regem a qualidade das relações

Patricia Gebrim 01/01/2016 PSICOLOGIA
Generosidade é um atalho para uma vida mais feliz

por Patricia Gebrim

Não há coisa mais bela do que a gratidão. É linda essa energia que flui de dentro de nós em direção ao mundo.

Para que se seja grato, no entanto, é preciso que se possua algo que nem todos possuem: generosidade. É a generosidade da alma que nos permite agradecer.

A avareza não se sabe dar. A avareza só quer para si. Toma do outro para se tornar maior. A generosidade, por sua vez, se amplia na doação de si mesma e isso é algo que nem todos podem compreender.

Essas duas forças nos rodeiam e regem as relações, sendo a meu ver, determinantes de sua qualidade. Relacionamentos generosos tendem a alimentar-se mutuamente e crescer, transformando desertos em lindos jardins. Relacionamentos baseados na avareza tornam tudo menor do que poderia ser e com o tempo secam até mesmo as mais belas florestas.

As pessoas generosas chegam à vida de portas abertas. Confiam na luz que possuem dentro de si e acreditam que merecem e que receberão o necessário do Universo, sendo assim sentem alegria em compartilhar, não têm medo de doar e de se dar. Seja numa relação de trabalho, de amizade ou num relacionamento afetivo, os generosos têm uma proposta de criar o melhor. Dão o melhor de si, querem construir a coisa grande e bela, querem o bem de todos, almejam a beleza, são de certa forma inocentes e pouco defendidos. Em geral têm como premissa a bondade humana e dão a todos o benefício de considerá-los dignos de receberem o seu melhor.

Já os avarentos, talvez por não se sentirem tão abençoados, baseados numa premissa de que algum dia lhes faltará o necessário, apegam-se ao que têm. Agarram-se como polvos famintos ao que possuem e, se puderem, tentam acumular tudo que os faça sentirem mais seguros. Os avarentos são pessoas medrosas e inseguras, pouco confiantes na fluidez da vida, muitas vezes mais materialistas e controladoras. Costumam entrar nos relacionamentos mantendo as portas fechadas e dando-se a “conta-gotas”. Pouco se dão, sempre temerosos de perder o pouco que acabam tendo.

Ora, a energia é algo que precisa fluir. A generosidade permite o fluxo saudável da energia, que circula e dança ao nosso redor, abrindo portas, criando harmonia e beleza.

Já a avareza, corta o fluxo da vida e torna tudo menor e menos brilhante do que poderia ser. Os relacionamentos se empobrecem, a conta bancária se torna escassa, a vida fica cinza e meio sem graça. Falta amor, falta vida, falta vibração.

Quando um generoso encontra um avarento, num primeiro momento nos parece que o avarento se sai melhor. O generoso chega distribuindo suas dádivas, e o avarento simplesmente as recolhe, sem gratidão, sem retribuição; como se fosse uma obrigação do mundo servi-lo e dobrar-se a seus pés.

Os generosos ainda continuarão dando por um tempo, e alguns até por mais tempo do que seria saudável... Mas é certo que, em algum momento, pela falta de retroalimentação, o fluxo não se poderá manter. Até mesmo os mais generosos serão incapazes de manter essa relação unilateral, e é certo que a ruptura se dará.

O generoso seguirá em frente, movido e amparado pela fartura que continua brotando de dentro de seu peito, que o alimenta e permite que suporte melhor a solidão. A energia que flui continuamente o acalenta, gera independência e paz.

Já o avarento terá que encontrar rapidamente outro generoso que o alimente, mantendo-se numa eterna relação de dependência que o condena a uma vida aprisionada, onde não há lugar para momentos de relaxamento, descanso e paz.

Assim sendo, ofereço aqui minha prece transformada em palavras:

- Que sejamos capazes de nos conectar com a generosidade que mora dentro de cada um de nós, que sejamos capazes de confiar na vida e seguir na sua direção com a mente e o coração abertos.

Se você quer receber as bênçãos da vida, se quer mais amor, mais carinho, mais oportunidades, mais dinheiro, mais saúde, mais sabedoria... Aprenda a dar.

Pare de tentar roubar da vida aquilo que é merecido e que você pode ter gratuitamente. Pare de segurar as coisas como se fosse seu dono. Pare de tentar possuir à força o que foi feito para voar livremente. Pare de tentar controlar o outro mendigando seu afeto e gerando carências. Aprenda a dar de si mesmo mais livremente. Essa é uma chave para gerar mais amor e prosperidade na sua vida.

Dê.
Mais amor, mais atenção.
Seja mais verdadeiro.
Agradeça o que tem.
Permita que a energia flua.

E saiba, se algo não anda fluindo bem em sua vida isso é sinal de que você anda segurando o que deveria estar permitindo fluir.

Entregue-se. Liberte-se. Confie.

Viva.




Patricia Gebrim

É Psicóloga Clínica, atua numa abordagem transpessoal. Seu trabalho é direcionado a favorecer o autoconhecimento e a transformação das crenças limitadoras que nos mantêm aprisionados a padrões repetitivos de escolhas. É escritora, publicou 'Gente que mora dentro da gente' e o best-seller 'Palavra de Criança' pela editora Pensamento



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