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Quem ama mata ou fere o parceiro?

Tatiana Ades 01/12/2016 PSICOLOGIA
Quem ama mata ou fere o parceiro?
Fonte: imagem Pixabay
Quem mata por "amor" sente culpa

por Tatiana Ades

Isso não justifica a ação.  Toda pessoa que comete um crime passional, seja na esfera física ou emocional, deve ser julgada conforme a lei.

Diferentemente do crime cometido pelo psicopata (que também comete esse tipo de crime), as pessoas que matam por “amor”, sentem culpa e remorso após o ato e muitas vezes se suicidam após o ocorrido.

Vamos relembrar alguns casos que ficaram famosos:

Entre 1987 e 1995, Vera Fisher e Felipe Camargo tiveram uma relação complexa e cheia de dramas. Em uma dessas constantes brigas, o ator foi esfaqueado pela atriz e acabou com uma perfuração no abdômen. O ator, por sua vez, foi acusado de quebrar um braço da atriz. Os dois comentaram que o relacionamento era motivado por brigas e ciúme constantes.

Madonna e Sean Penn tiveram um relacionamento de quatro anos regado a brigas constantes. A separação do casal finalmente ocorreu após uma briga que durou nove horas, na qual o ator amarrou a cantora em uma cadeira e a espancou; só a liberou após o consentimento da mesma em fazer sexo com ele. Ele fugiu após o episódio e ela acabou retirando as acusações contra ele.

Sandra Mendes, ex-esposa do cantor Netinho, foi agredida pelo mesmo em 2005. A vitima relatou que após diversos desentendimentos conjugais, levou diversos socos no rosto e no corpo, imagens que fez questão de registrar. Em 2012 Sandra Mendes criou uma Ong para ajudar as mulheres vítimas de abusos  e violência doméstica, chamada  Mulheres Livres.

Em 2009, véspera do Grammy, Chris Brown e Rihanna, que namoravam há um ano e meio, se envolveram numa briga dentro do carro do ator. Pois ela descobriu mensagens no celular do mesmo, vindas de outras mulheres. Brown parou o carro e empurrou a cantora para fora do veículo, mas ela, presa ao cinto de segurança, conseguiu permanecer no local. Ele, então, deu diversos socos em seu rosto e bateu sua cabeça várias vezes na janela do carro. Além disso, mordeu seus lábios, orelha e tentou sufocá-la até ela perde a consciência. Ele largou-a numa rua em Los Angeles e foi embora. Ele foi sentenciado a cinco anos de liberdade condicional e serviço comunitário, além de precisar manter distancia da vítima.

O produtor musical, Phil Spector, que já trabalhou com os Beatles, atirou e matou a atriz Lana Clarkson em 2003. Ele foi condenado a 19 anos de prisão. O mais surpreendente dessa história é que ambos aviam se conhecido em uma boate há apenas duas horas antes do crime.

O ex-jogador de futebol O.J. Simpson foi acusado da morte da ex-esposa Nicole Brown e seu amigo Ron Goldman, ambos encontrados com diversas facadas. O julgamento durou quase um ano e apesar das provas concretas de DNA, ele foi inocentado das alegações do crime.

Percebemos nesses abusos entre casais a presença de:

- possessividade e não amor
- ciúme obsessivo
- possível paranoia
- impossibilidade de deixar o “ser amado” em liberdade
- raiva constante
- as brigas muitas vezes permanecem por anos a fio, antes de algo mais sério acontecer.

O mais importante é que o casal busque ajuda antes que algo mais trágico aconteça. A vítima deve reconhecer sinais de agressividade, explosões, paranoia e se afastar o quanto antes. Pessoas conhecidas que observam e detectam abusos, devem denunciar.




TAGS :

    crime passional, ciúme, amor, abuso, violência

Tatiana Ades

É psicanalista e escritora e teatróloga. Em seus livros, o foco de estudo é o comportamento humano e o amor patológico. Tem em seu currículo várias peças escritas e encenadas nos teatros de São Paulo, além de ter concorrido ao prêmio Shell de melhor texto teatral com Os Viúvos – Teatro Ruth Escobar (2003). Como escritora, em 1998, ganhou um concurso com o conto O silêncio da raposa. Eles são o resultado de uma pesquisa de três anos: Hades – Homens que amam demais e As escravas de Eros.



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