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Idoso não necessita de caridade, mas de direito à cidadania

Elisandra Vilella G. Sé 31/10/2016 SAÚDE E BEM-ESTAR
Idoso não necessita de caridade, mas de direito à cidadania
Fonte: imagem Pixabay
Bem-estar na velhice é pauta discutida em todo o mundo

por Elisandra Sé

Considerando o envelhecimento populacional em curso no mundo e no Brasil, fatores biológicos, psicológicos, sociais, econômicos e políticos sobre a velhice e o envelhecimento passam a ser o foco das discussões na sociedade e no âmbito das políticas públicas com o objetivo de propor melhorias na qualidade de vida da população que envelhece e na sociedade em geral.

Com isso, será preciso direcionar mudanças significativas em vários setores ampliando a discussão sobre temas como aposentadoria, preparação para a aposentadoria, educação dos idosos, diminuição da desigualdade social, empregabilidade dos idosos, a participação dos idosos na elaboração e controle das políticas públicas, acessibilidade, mobilidade, cuidados no fim da vida, moradia, seguridade social, promoção da saúde e plano para um envelhecimento ativo. O tempo é de grandes desafios e também de grandes transformações.

Do ponto de vista histórico, já tivemos muitas conquistas quando foram criadas as primeiras legislações como a Lei Orgânica da Assistência Social – LOAS; a Lei Orgânica da Saúde e em, seguida a Política Nacional do Idoso implementadas a partir de 1994 e a criação do Estatuto do Idoso, mas ainda não é o suficiente, pois a existência das Legislações ainda não garante a proteção aos idosos, um envelhecimento digno para a população que envelhece e que os direitos dos idosos sejam respeitados.

O Estatuto do Idoso representa um grande avanço da legislação brasileira, é um documento máximo em termos de legislação de proteção aos direitos dos idosos. A partir dessas conquistas políticas e de legislação, os idosos deixaram de ser vistos como um segmento que necessita de caridade e passaram a ser compreendidos na perspectiva de direitos de cidadania.

O conceito de política pública tem íntima relação com o de cidadania. O que define um cidadão é que todos os homens são iguais perante a lei. Para a autora Reis (1997) “Ser cidadão é ser membro de um corpo mais amplo, é pertencer a alguma unidade... é ser identificado como uma nação particular, ter direitos garantidos pelo Estado correspondente a esta nação.” Mas cidadania é um processo em construção, que está em continuidade, é uma constante busca histórica que é alterada a longo do tempo. Significa ter direitos e deveres dentro de uma cultura e sociedade democrática.

Dessa forma, os desafios são bastante significativos para valorizar o cidadão que envelhece. É preciso valorizar a história de uma sociedade. Torna-se necessário maior conhecimento, conscientização e sensibilização de modo geral de todas as pessoas, de todas as gerações para respeitar e defender os direitos da pessoa que envelhece conforme previstos em lei.

Nos Conselhos dos Idosos, o idoso passou a ser protagonista tendo participação expressiva sobre seus interesses e necessidades, representando também um avanço no processo de transformação do idoso em defesa dos seus direitos. Entretanto, os idosos ainda podem avançar muito mais na luta pela defesa dos direitos e em implementação de políticas públicas, auxiliando ainda na fiscalização e cobrança do cumprimento dos direitos da pessoa idosa. É necessário que todas as gerações tenham o compromisso para com a mudança que todos querem. O cidadão que envelhece deve participar de reuniões de Conselhos, conhecer as gestões, acompanhar as ações governamentais, propor ideias, assumir uma postura de pertencimento comunitário e de participação social.

Os aspectos sociais do envelhecimento no Brasil, ainda precisa ter mais visibilidade, pois no Brasil a desigualdade social, que tem implicações na injusta distribuição de renda da população, na desvalorização de algumas profissões, estão presentes em todo o curso de vida, dificultando aos cidadãos uma vida digna e justa. E essa luta e mudança de mentalidade inicia na infância, continua na adolescência, juventude e vida adulta, por direitos básicos como saúde, educação, emprego... Enfim, uma vida digna de seus direitos. A saúde, por exemplo, precisa ser vista de maneira ampla, integral, promover a prevenção e a educação em saúde para melhorar a qualidade de vida da população e diminuindo os custos de tratamento, reabilitação e internações.

Além disso, existe a real necessidade de espaços significativos para a participação social dos idosos nas suas comunidades. É preciso buscar alternativas para viver com mais qualidade em seus bairros. Esta participação, visibilidade e representação precisa ser expressa na esfera política e na esfera micro, começando com o envolvimento do seu bairro, da sua rua, na tentativa de incorporar as demandas necessárias da população idosa, tendo condições de dialogar com o poder público, fortalecendo na prática cada vez mais a participação social. É assim que a nossa função social tem influência direta na esfera política. 




TAGS :

    estatuto do idoso, legislação, cidadania, bem-estar

Elisandra Vilella G. Sé

Fonaoudióloga pela Faculdade Tereza D'Ávila de Lorena (FATEA/USC) (1995), Mestre em Gerontologia pela Faculdade de Educação da UNICAMP (2003); Doutorado em Linguística - Área de Neurolinguística pelo Instituto de Estudos da Linguagem da UNICAMP (2011); Especialista em Educação em Saúde para Preceptores do SUS pelo Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio Libanês (2013); foi pesquisadora visitante na Associação Alzheiemr Portugal em Lisboa (2013); Coordenadora da ABRAZ - Associação Brasileira de Alzheimer - sub-regional Campinas e Jaguariúna.



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