DESTAQUES

Inveja: você sente?

Karina Simões 30/09/2016 COMPORTAMENTO
Inveja: você sente?
Fonte: Google Imagens
Entender o sentimento da inveja é importantíssimo para o autoconhecimento

por Karina Simões

Falar em inveja parece assustar as pessoas e também gerar um receio no posicionamento de assumir senti-la ou não. Segundo o dicionário Aurélio, a inveja é um desgosto provocado pela felicidade ou prosperidade alheia. Ou também um desejo irrefreável de possuir ou gozar o que é de outrem. Inveja vem do latim invidia que tem relação com a ideia de "ver" (em latim: videre). Já o prefixo in faz menção ao ato invejoso daquele indivíduo que lança um olhar de recusa e ódio aos bens e feitos alheios.

O filósofo Kierkegaard afirma que a inveja é uma admiração que se dissimula, e como sentimento dissimulado deve ser bem destrutivo senti-lo. No entanto, a grande questão da humanidade, no que diz respeito à inveja, é que as pessoas não se reconhecem invejosas. Até porque, como o próprio significado e conceito mostram, é triste e condenável senti-lo. Tomás de Aquino dizia que "a inveja é a tristeza pela felicidade dos outros, exultação pela sua adversidade e aflição pela sua prosperidade". A inveja é de fato um dos grandes males da humanidade.

Entender o sentimento da inveja é importantíssimo para o autoconhecimento, tendo em vista que é uma incapacidade de reconhecer uma falha própria, a dificuldade de aceitar o fracasso, bem como de alegrar-se com a alegria do outro. O que se configura, portanto, como um sentimento muito nefasto e sério. Pois, se alguém não se exulta diante do sucesso e conquistas do outro, isso implica questões internas não resolvidas. Segundo o historiador Leandro Karnal, sentimos inveja de quem está próximo de nós, ou seja, o famoso jargão "a grama do vizinho é mais verde que a minha?!".

Napoleão Bonaparte, líder político, afirmava que "a inveja é um atestado de inferioridade". É possível se aperceber que o sentimento destrutivo é subjacente à inveja, sendo, portanto, a conquista do outro uma tristeza marcante para o invejoso. Isso denota frustração e ausência de crescimento interior a fim de poder visualizar tanto as próprias virtudes como as belezas e o sucesso inerentes à vida do outro ser.

Vemos, então, que a inveja já foi muito citada por ilustres pensadores, além de ser um dos sete pecados capitais. Mas, um dos escritos de Caio Fernando Abreu revela algo que nos acalenta: "Não choro minhas perdas, nem temo a inveja e o olho gordo que me rodeiam. Sou de Deus, quem não é que se cuide!".




Karina Simões

Psicóloga clínica cognitivo-comportamental. Possui especialização em Psicologia da Saúde e Desenvolvimento pela UFRN. Especialização pela Faculdade de Medicina do IPHC da USP. Membro da Federação Brasileira de Terapias Cognitivas - FBTC. Mais informações: www.karinasimoes.com.br



ENQUETE

Qual candidato à Presidência terá mais condições de melhorar o índice da FIB (Felicidade Interna Bruta) e o do IDH (índice de Desenvolvimento Humano) do Brasil?





VOTAR!
Vya Estelar - Qualidade de vida na web - Todos os direitos reservados ®1999 - 2018
O portal Vya Estelar não se responsabiliza pelas informações e opinião de seus colunistas emitidas em artigos assinados.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação.