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Enfim só

Roberto Goldkorn 01/01/2016 AUTOCONHECIMENTO
A internet é o maior palco para a atuação desses aloprados do amor

por Roberto Goldkorn

Meus leitores e clientes me conhecem como um “cruzado” antissolidão. Meus livros, meu trabalho está voltado para ajudar as pessoas na identificação e cura dos fatores que as levam à solidão do desamor, da indigência afetiva e ao isolamento comunicativo.

Não há dúvida de que a solidão indesejada e os fatores que levam a esse status desértico são e continuarão a ser meu objeto de estudo e trabalho.

Mas a cada dia tenho percebido que alguns tipos de solidão poderiam ser combatidos de forma homeopática, ou seja: semelhante cura semelhante! Cada vez é mais frequente a constatação de que a busca desesperada de escapar do buraco negro da solidão leva alguns indivíduos a uma frenética busca de amor, aceitação e inclusão. Ficam como baratas tontas investindo seus toscos recursos na compra de ingressos ao coração dos outros.

Essas investidas vistas de um ponto de observação mais afastado e isento têm a aparência de uma pantomima grotesca e (in)digna de pena. Quanto mais se esforçam para entrar na marra na vida dos outros, quanto mais se endividam para comprar seu ingresso no círculo dos “contentes” mais são desprezados e mais aumenta sua solidão/frustração.

Lembro-me de uma cliente que me ofereceu um bom dinheiro para que eu fizesse uma mentalização capaz de manter seu ex-namorado pensando nela “dia e noite”. Outro caso de um sujeito que queria saber qual era o carro que mais atrairia a “mulherada” se uma BMW ou uma Mercedez Bens. Ele era rico, naturalmente, mas pobre, miserável sob todos os outros pontos de vista, e escolheu o caminho ilusório da aparência, só iria colher frutos amargos de solidão.

A batalha ostensiva para combater a solidão atirando para todos os lados deseperadamente, em geral é um tiro na água. Alopatia nesse caso quase nunca resolve e ainda contribui para tornar o deseperado(a) mais patético e mais rejeitado. É preciso entender a situação e recuar. A solidão do desamor quase sempre está ligada a uma perda de energia magnética, a projeção de uma autoimagem espinhosa, refratária ao afeto.

Aos olhos do grupo o sujeito projeta a imagem de um ogro, e não é a do simpático e carismático Schrek! Quanto mais ele age, quanto mais se debate nessa rede de rejeição menos consegue refletir sobre os reais motivos de sua solidão e vai se distanciando da solução e cura de sua “doença”.

Por falar em redes, a internet é o maior palco para a atuação desses aloprados do amor. Os sites de relacionamentos são obviamente uma coisa boa, mas cada dia me convenço mais de que foram criados para que os solitários crônicos e agudos mitigassem vrtualmente a sua indigência. O que acontece então é uma avalanche de cliques e toques desesperados, lançando uivos no cyberespaço na vã esperança de encontrar ecos de afinidades e afetos. Mais uma vez esses pescadores e pescadoras de ilusões perdem a rica oportunidade de conhecer a verdadeira razão de seus vazios sentimentais.

O que fazer então?

É preciso recuar, é preciso ir cuidar do seu jardim, como disse o Cândido, personagem de Voltaire. Solidão indesejada se combate com solidão desejada. Faça como os cachorros que se recolhem para lamber suas feridas longe dos olhos dos que os ferem. Os solitários de plantão devem estar dizendo: Fácil dizer e difícil fazer. Concordo, elementar meu caro solitário, mas fazer do jeito alopático não está dando certo? Porque não tentar o modo homeopático? Isso não quer dizer se entocar num quarto escuro e chorar com a cabeça debaixo do travesseiro. Ao contrário: recuar, recolher-se é muito mais uma atitude interior, uma decisão moral/mental.

Sugiro uma jornada em direção ao seu âmago, uma desistência temporária da luta para ter amor, companhia, afetos. Sugiro uma profunda aliança com o que você tiver de melhor, com suas melhores lembranças, com a recuperação daqueles projetos antigos abandonados na corrida atabalhoada para escapar da solidão. A dica é: alimente-se de suas ações mais gratificantes (todos têm pelo menos uma), cuide de seus cachorros, de seus filhos, de seus netos, seja voluntário na guerra contra a miséria alheia, mas antes de mais nada PARE DE OLHAR PARA O SEU UMBIGO!

Preciso lhe contar um segredo: Existe um mundo além de sua própria dor! Se você me responder: “Eu não tô nem aí com a dor do mundo”, já respondeu a pergunta do porquê está tão jogado às traças. Sair desse estado de ego ensandecido, de tudo eu, tudo eu , tudo eu, não é fácil, hay que tener cojones, mas é um mapa para os tesouros do amor e da aceitação.




Roberto Goldkorn

É escritor e autor dos seguintes livros: "Feng Shui para Brasileiros - A Medicina da Habitação", "Feng Shui - Energia e Prosperidade no Trabalho", "Feng Shui Para Brasileiros - A Cozinha" - todos pela Editora Campus. "Não Te Devo Nada" e "Solidão Nunca Mais" ambos pela Bertrand Brasil.



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