DESTAQUES

Sentimentos de inferioridade são compensados com exibicionismo

Flávio Gikovate 01/01/2016 COMPORTAMENTO

por Flávio Gikovate

"A vaidade inunda a nossa razão e, a partir de um ponto impreciso de nossas vidas, não há mais nenhuma reflexão ou interpretação dos fatos e de nossa condição que não esteja contaminada com esta vontade de nos atribuirmos significado especial e ímpar"

Não me parece difícil imaginar que a razão através de sua capacidade de correlacionar e interpretar, encontre suas próprias explicações - nem sempre muito de acordo com os fatos - para perceber as tristezas da vida como algo que nos faz sentir por baixo e os prazeres exibicionistas como algo que nos coloque para cima.

A nossa real insignificância fica momentaneamente atenuada pela sensação positiva de sermos admirados por outras pessoas.

Nosso desamparo e a sensação de menos valor - derivada de desafetos supostos ou reais - são recompensados pelo prazer que sentimos ao sermos objeto de olhares que nos fazem sentir especiais. Esquecemos por alguns instantes que somos perecíveis e que estamos permanentemente ameaçados, quando a nossa chegada é tratada pelos outros como algo que lhes impressiona.

Em uma frase podemos dizer que os sentimentos de inferioridade pedem destaques compensatórios e que o prazer de se exibir rapidamente passa a estar a serviço dessa função.

A vaidade inunda a nossa razão e, a partir de um ponto impreciso de nossas vidas, não há mais nenhuma reflexão ou interpretação dos fatos e de nossa condição que não esteja contaminada com esta vontade de nos atribuirmos significado especial e ímpar.                   

 




Flávio Gikovate

É médico psiquiatra formado pela USP em 1966. Foi assistente clínico do Institute of Psychiatry na London University. Em 45 anos de carreira já atendeu mais de oito mil pacientes. É escritor e palestrante. Assim como Erich Fromm, Carl Rogers e Erik Erickson, psicoterapeutas e escritores contemporâneos, dos anos 50 e 60, Gikovate tem tido sucesso em escrever textos sérios em linguagem coloquial. Seus livros já ultrapassam o milhão de exemplares vendidos. RIP.



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