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Sustentabilidade e grandes cidades: é possível conciliar?

Marilena Lavorato 01/01/2016 SERVIÇO

por Marilena Lavorato

Nos grandes centros urbanos os desafios ambientais são cada vez maiores e mais complexos. É insustentável imaginar a logística para atender as demandas da concentração de pessoas.

A começar pelo espaço físico. Não há solo suficiente para gerar alimento, destinar resíduos, e abrigar pessoas em moradias próximas à infraestrutura básica. A saída é importar alimentos, exportar resíduos e criar bairros periféricos.

Claro que isso gera mobilidade (clique aqui e leia), que gera: consumo de energia e emissões, poluição, estresse, trânsito, imobilidade...... e isso tudo se transforma em um círculo vicioso pró-insustentabilidade.

A mobilidade é um dos maiores problemas. A matriz energética utilizada é outro grande problema. Em sua maioria, os veículos utilizam combustível fóssil (petróleo e carvão), grande emissor de gases de efeito estufa causadores do aquecimento global e mudanças climáticas.

Tudo está interligado. A começar pela concentração de pessoas que foram motivadas a se concentrar em determinados locais em busca de oportunidade e sobrevivência.

Curioso também é identificar que a tal oportunidade e sobrevivência que empurrou as pessoas para os grandes centros urbanos foi alavancada pelo desenvolvimento industrial do ultimo século que adotou o modelo de produção e consumo em massa. Um modelo extrativista que promoveu o alto consumo dos recursos naturais e gerou grandes impactos ambientais pelas emissões de poluentes.

É insano imaginar que em alguns casos, a matéria-prima (insumo básico) de determinado produto (ou componente de) é extraída em um primeiro continente, transformada em um segundo continente, montada em um terceiro continente, e consumida em um quarto e/ou quinto continente.

O insumo básico dá uma volta ao mundo antes de chegar a prateleira e ser consumido. Resta saber, o tempo de uso desse produto e seu descarte final. Tanto esforço de produção, mobilidade e consumo, merece ao menos algum tempo de uso antes de se tornar obsoleto e descartado.

Por isso, os gestores ambientais se preocupam com a chamada logística reversa (a logística do resgate e destinação dessa matéria-prima após o descarte pelo consumidor). Caso esse produto contenha algum componente perigoso, não poderá ser descartado sem alguns cuidados. E mesmo que não tenha nenhum resíduo perigoso, os apelos do consumismo exacerbado, incentiva o descarte com rapidez, gerando resíduos e forçando novas extrações de matéria-prima, e muita mobilidade e emissão para que novos produtos cheguem até nós.

Hoje, muitos especialistas pesquisam a reinserção desses materiais novamente na cadeia produtiva, evitando novas extrações, diminuindo a mobilidade do transporte dos insumos, diminuindo o consumo de energia e a geração de resíduos.

Nessa simples reflexão sobre a mobilidade nas grandes cidades descobrimos as imensas interconexões que existem, e que vão muito além do trânsito.

As soluções dependem do diálogo e contribuição entre os diversos segmentos da sociedade. Pesquisadores científicos com suas descobertas importantes, o governo com políticas públicas e fiscalização, a indústria com novos designs produtivos e soluções mais limpas, e nós consumidores e cidadãos, mais bem informados e atentos, utilizando nosso poder de pressão na hora de apoiar projetos e pessoas e principalmente na hora de consumir produtos e serviços.

A sustentabilidade (clique aqui e leia) é feita de atitudes simples, mas com efeitos grandiosos. Tente mudar, e sentirá o benefício na pele, no ar, na vida.

 

 

 




Marilena Lavorato

É Publicitária (PUCC) com especialização em Marketing (ESPM), Negócios (FGV/SP), Sociologia e Política (EPGSP/SP), Gestão Ambiental (IETEC), e Gestão Empresarial Estratégica (USP). Organizadora do Programa Benchmarking Ambiental Brasileiro, Co-Editora do Livro BenchMais, Presidente do Comitê de Sustentabilidade do Instituto Mais, Professora e conferencista para os temas Benchmarking Ambiental e Marketing Verde em universidades e congressos. Mais informações: www.institutomais.org



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