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Surtos de violência contra à esposa. O que pode ser isso?

Anette Lewin 01/01/2016 COMPORTAMENTO

por Anette Lewin

"De nove meses para cá, tenho tido surtos de violência contra minha esposa, isso após ela me provocar bastante. Será que sou vítima de algum distúrbio? Nunca tive esse tipo de comportamento. Logo em seguida sinto uma depressão muito forte. Mas depois de algum tempo, vejo-me cometendo o mesmo erro."

Resposta: Você está percebendo seu descontrole e quer entendê-lo melhor para não se sentir refém de atos desmesurados. Certamente esse é o primeiro passo para adquirir mais consciência sobre você mesmo e tomar as rédeas de seu comportamento, ao invés de deixar que seus impulsos o levem para situações indesejadas.

O que te tira do sério?

Como esses surtos começaram há nove meses, tente lembrar da primeira vez em que isso ocorreu.

Houve alguma discussão? Qual o tema em questão? Quem trouxe o tema?

Essas respostas são importantes para que você observe se as provocações que você cita são decorrentes de uma questão específica ou ocorrem em todas as discussões entre vocês. Tente entender também se o que tira você do sério é a forma com sua esposa fala com você. Muitas vezes o uso de uma linguagem irônica e sarcástica pode ser um estopim por si só, independentemente da temática abordada.

Em seguida, faça uma análise de seu casamento como um todo. Tente entender se ele corresponde a suas expectativas, se existe algo que não vai bem, se sua esposa se mostra presente nos planos em comum e se você se sente realizado e motivado no relacionamento amoroso.

Feita essa reflexão, provavelmente você vai se sentir mais consciente de seus sentimentos e poderá avaliar se seus surtos de violência podem estar vinculados a alguma frustração decorrente das expectativas criadas em torno do casamento.

Escreva o que sente ao invés de falar: evite acusações e exponha seus sentimentos

Caso conclua que atitudes ou comportamentos de sua mulher podem estar ligados com seus surtos, vale uma boa conversa com ela, num momento em que se sinta mais tranquilo. Caso tenha a sensação que falar com ela sobre temas polêmicos entre vocês pode tirar você do sério, coloque num papel os sentimentos que as atitudes dela provocam em você e entregue esse papel a ela. Evite acusações, fale na primeira pessoa. Uma pessoa fica muito mais disponível para ouvir "eu me senti triste quando você fez isso" do que para ouvir "você fez isso errado". Assim, se o jeito que sua esposa fala irrita você, tente falar ou escrever de um jeito sensato e sincero. O exemplo sempre dá mais resultado do que a crítica.

Provavelmente depois de um diálogo, as coisas entre vocês podem melhorar. Vale, no entanto, caso depois disso você continue sem o controle necessário sobre seus surtos de violência, uma pesquisa de possíveis fatores neurológicos ou psiquiátricos que possam gerar esse tipo de comportamento.

Faça um consulta com esses dois especialistas (neurologista e psiquiatra) para que eles pesquisem possíveis causas como depressão, epilepsia ou outros fatores neurológicos. Caso você tenha o hábito de consumir álcool ou qualquer outro tipo de droga, lembre-se que elas podem estimular comportamentos agressivos ou violentos em muitas pessoas.

Finalmente, lembre-se que, como foi dito no início, sua vontade de adquirir mais controle sobre seus comportamentos, por si só, já é um primeiro passo para a sua cura.

Nada como boa vontade e autocrítica para conseguir atingir um objetivo. Caso você queira dar mais passos em direção ao seu autoconhecimento e não consiga fazer isso sozinho, procure uma psicoterapia. Pode ajudar a encontrar causas e motivações de comportamentos que você não entende e melhorar o controle sobre você mesmo.

 

 

 

Vya Estelar Responde

Vya Estelar quer colocar você, querido leitor, mais perto ainda de nós. Esse profissional irá responder dúvidas enviadas pelos internautas sobre um determinado tema. A psicóloga Anette Lewin responderá sobre relacionamento amoroso, conflitos na vida a dois e conjugal. Esta resposta possui dois formatos: 1º formato: responder as perguntas enviadas pelos leitores. 2º) formato: de A a Z, explicar através de uma palavra em específico (verbete) o significado do que sentimos ao amar. Esta palavra será extraída de um e-mail enviado pelo leitor a esta coluna. Os e-mails serão selecionados e editados de acordo com critério editorial do Vya Estelar, já que não será possível responder a todos. Seu nome e e-mail serão preservados.

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Anette Lewin

É psicóloga graduada pela PUC/SP. É psicoterapeuta de adultos e adolescentes em consultório particular desde 1975 até a presente data. É coach em saúde mental.



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