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É possível estar sozinho e ser feliz

Patricia Gebrim 01/01/2016 AUTOCONHECIMENTO

por Patricia Gebrim

 Em meu artigo anterior (clique aqui e leia), escrevi sobre como as mulheres vêm aprendendo a viver sozinhas, criando uma vida brilhante, satisfatória e significativa, mesmo na ausência de um relacionamento compromissado com um parceiro afetivo.

Agora volto meu olhar para os homens, com a mesma questão em mente.

- Podem os homens viverem bem e felizes, mesmo sem estarem comprometidos, em um relacionamento afetivo?

As pesquisas apontam que homens casados vivem mais do que os solteiros. Cuidam-se melhor, bebem menos, procuram médicos com mais frequência. Além do mais, a presença da esposa e do lar seriam uma espécie de porto seguro para onde os homens poderiam voltar após as batalhas cotidianas, um lugar que os ajudaria a diminuir o estresse e relaxar.

Ainda assim, existe hoje uma faixa da população masculina que vem aprendendo a viver só, a cuidar de si e muitas vezes de seus filhos, a organizar a rotina de uma casa e - por que não? - a ter uma vida satisfatória.

Muitos homens, por hábito ou carência, acabam preenchendo o vazio afetivo que lhes oprime o peito com pessoas que não os tocam de verdade. Outros, no entanto, cansados de relações superficiais, buscam encontros mais profundos e acabam tendo de aprender a viver só enquanto não encontram o que de verdade buscam.

Exigentes, não querem ao seu lado apenas uma mulher que supra o buraco da tão conhecida carência. Desejam uma parceira de vida, que os estimule, que os façam crescer, que os ajudem a extrair o que há de melhor em si mesmos. Tal busca leva tempo, um tempo que permite a cada ser humano o repouso necessário para que seu melhor venha à superfície, como acontece com os vinhos que após certo tempo de repouso, manifestam um sabor que agrada muto mais ao paladar.

Se é uma verdade que não é difícil para um homem encontrar uma companheira hoje em dia, também é verdade que os encontros mais significativos não são tão comuns assim. Muito se ouve falar nas dificuldades que as mulheres têm em encontrar um parceiro, mas pouco se fala da dificuldade que muitos homens encontram também para encontrar parceiras que os façam ter força e desejo de enfrentar todas as dificuldades e desafios que fazem parte de um relacionamento.

Quando somos jovens todos temos a sensação de que encontraremos pessoas maravilhosas, nos apaixonaremos e viveremos lindas histórias de amor sempre que quisermos. A maturidade, no entanto, nos ensina, homens e mulheres, que os encontros mais profundos e significativos são raros. Muitas vezes, ao fim da vida, podemos contar nos dedos de uma única mão os relacionamentos amorosos que verdadeiramente tocaram nossa alma, as pessoas que de fato adentraram nosso espaço mais sagrado.

Para esses homens corajosos, que aprenderam a não temer a solidão e que desejam mais qualidade em seus vínculos, viver só torna-se uma etapa inevitável e por que não, prazerosa, de suas vidas. Talvez encontrem o que procuram, talvez não, essa é a verdade que muitos tentam evitar.

Assim, que sejamos todos, homens e mulheres, capazes de seguir pela vida em paz, seguros da beleza de nossa própria companhia. Que façamos, desse encontro com nosso próprio ser, nosso porto seguro e nossa morada.

Que tenhamos a inteireza de permanecer abertos para os encontros significativos, sem a ansiedade e desespero que vejo na atitude de tantas pessoas. Sem que a busca de um relacionamento seja guiada pelo medo da solidão e sim pelo desejo lícito e válido de amar melhor.

Precisamos aprender a fazer as coisas sem pressa, a envelhecer como os mais deliciosos vinhos que, em seus barris de carvalho, não temem a solidão.
 

 




Patricia Gebrim

É Psicóloga Clínica, atua numa abordagem transpessoal. Seu trabalho é direcionado a favorecer o autoconhecimento e a transformação das crenças limitadoras que nos mantêm aprisionados a padrões repetitivos de escolhas. É escritora, publicou 'Gente que mora dentro da gente' e o best-seller 'Palavra de Criança' pela editora Pensamento



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