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Resguardo pode causar crises de ciúme? Por quê?

Anette Lewin 01/01/2016 COMPORTAMENTO

por Anette Lewin

"Meu marido é muito comunicativo, sorridente e ele fala com todo mundo. Ele trabalha em uma escola e tem mais contatos com meninas. Ele mais focado no trabalho do que na família e, durante meu resguardo, fiquei muito enciumada, pois ele passa o dia todo falando desse trabalho. Não aguento mais os pensamentos persistentes e negativos. Eu brigo muito e isso prejudicando o nosso relacionamento!"

Resposta: O nascimento e os primeiros cuidados com um bebê certamente provocam sentimentos diferentes nas mães e nos pais.

Chegada do bebê afeta o comportamento entre os parceiros

À mãe, cabe a função biológica da amamentação que acaba se estendendo aos cuidados gerais com o recém-nascido. Ao pai, com relação à criança, acaba restando muito pouco nessa fase. Ele é, no máximo, um ajudante que corre para a farmácia quando as fraldas estão acabando. Alguns até se propõem a ajudar, mas as mamães, principalmente as de primeira viagem, querem instintivamente o monopólio dessa tarefa.

Nesse cenário, muitas vezes o pai percebe-se sem função e volta-se mais ao seu trabalho onde se sente protagonista. Nada errado, nenhum culpado, apenas formas diferentes de mamãe e papai alimentarem sua autoestima.

O resguardo pode causar na mulher a ideia de que ela perdeu seus encantos femininos, está mais gorda, não tem tempo para se arrumar e seu marido corre o risco de se encantar por outra. A falta de sono nas vinte e quatro horas de plantão com o bebê acabam aumentando a irritabilidade materna que já não consegue agir delicadamente e começa a responder e brigar com o parceiro. Está formada a confusão em que você, provavelmente se encontra.

Como lidar com isso, você me pergunta?

Primeiramente entendendo que essa situação é e deve ser passageira. É claro que se, passado o resguardo, você continuar deixando seu marido de lado para ser uma mãe obsessiva, ele vai procurar outras formas de ganhar atenção, carinho e cumplicidade. Assim, tente reconstruir momentos de afeto, namoro e comemoração o mais rápido possivel. Afinal, filho não substitui marido e marido não substitui filho. Ambos devem caminhar em paralelo e ter seus momentos de atenção.

Por outro lado procure, na medida do possivel, incluir seu marido nas tarefas com o bebê. Mesmo que ele não faça tudo do jeitinho que você quer, convide-o a ajudar, inclua-o no ritual de cuidados com esse novo integrante da familia que, afinal, é dele também. Vínculos se formam através de contato e seu marido, ao se apegar à criança, tenderá a ficar mais tempo com ela, e consequentemente, ficará mais tempo perto de você.

Essência da família: cuidar um do outro

Finalmente, não se esqueça que você tambem existe e, nesse sentido merece atenção e cuidados. Nada de ficar o dia inteiro de pijama, despenteada com a angústia estampada no seu rosto. Aproveite os momentos em que o bebê estiver dormindo para se arrumar, relaxar, ler alguma coisa que você gosta ou bater um papo com uma amiga. Sim, é possivel conciliar tudo isso, desde que você acredite que cuidar de você mesma é essencial para que você consiga cuidar dos outros. E que cuidando de seu marido e filho de forma carinhosa e eficaz eles, certamente, cuidarão de você também. É assim que se constrói uma familia da qual todos os envolvidos sentem prazer em participar sem precisar fugir dela para se sentir bem.

 

Vya Estelar Responde

Vya Estelar quer colocar você, querido leitor, mais perto ainda de nós. Esse profissional irá responder dúvidas enviadas pelos internautas sobre um determinado tema. A psicóloga Anette Lewin responderá sobre relacionamento amoroso, conflitos na vida a dois e conjugal. Esta resposta possui dois formatos: 1º formato: responder as perguntas enviadas pelos leitores. 2º) formato: de A a Z, explicar através de uma palavra em específico (verbete) o significado do que sentimos ao amar. Esta palavra será extraída de um e-mail enviado pelo leitor a esta coluna. Os e-mails serão selecionados e editados de acordo com critério editorial do Vya Estelar, já que não será possível responder a todos. Seu nome e e-mail serão preservados.

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Anette Lewin

É psicóloga graduada pela PUC/SP. É psicoterapeuta de adultos e adolescentes em consultório particular desde 1975 até a presente data. É coach em saúde mental.



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