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Homens e mulheres paqueram nas redes sociais por motivações diferentes

Arlete Gavranic 01/01/2016 COMPORTAMENTO
Mulheres, que se encontravam encantadas, acabam se decepcionando

 por Arlete Gavranic

As redes sociais são uma excelente forma de reaproximar pessoas. Para os mais velhos, a possibilidade de reencontrar colegas de colégio, faculdade ou quem não via há muitos anos. Essa aproximação traz sentimentos saudosos, como se recuperasse uma energia afetiva e até uma alegria de outros tempos.

Mas não é só para reativar amizades que as redes sociais têm sido utilizadas. Numa cidade grande, como São Paulo por exemplo, percebo, que para pessoas que estiveram em relacionamentos (namoros, casamento) nem sempre é fácil refazer um grupo de amigos ou conhecer alguém que tenham afinidade. Nisso alguns sites de relacionamentos são interessantes, pois possibilitam criar critérios de seleção, por idade, cidade/bairro, religião ou área de trabalho. Jovens adultos também se beneficiam dessa busca.

As pessoas convidam umas as outras e começam a conversar virtualmente, ou como dizem, começam a teclar. Esse conhecer o outro através do mundo virtual pode ter inúmeras vantagens: poupa tempo, trânsito, e dá as pessoas a possibilidade de perceber se houve interesse ou não pelo modo que o outro se apresentou. Se houve afinidades e interesse, as pessoas começam a se falar por telefone e acabam agendando (ou não) um encontro. Esse período de teclar e conversar até chegar ao encontro varia muito. Tem pessoas que em uma semana já agendam um encontro e outras levam um mês ou mais nessa paquera virtual.

Até aqui parece tudo perfeito. Exceto, alguns bate-papos já muito sexualizados que podem gerar, em muitas pessoas certa hostilidade ou sensação de que o outro só está buscando sexo. Mas muitas pessoas vivem um encantamento, até um apaixonamento nessa expectativa com essa nova parceria. Toda situação de apaixonamento traz esse encantamento que, embora delicioso de ser sentido, pode ser perigoso, pois só olhamos no outro aquilo que queremos ver, e muitas vemos não enxergamos o outro como realmente é, em seus comportamentos, manias e suas reais intenções nessa conquista.

Vou ter que tirar o véu cor de rosa, a maioria das pessoas mantêm conversas com várias pessoas nesses sites. Na minha observação, algumas mulheres quando se encantam com um determinado "pretendente", até param de fazer outras buscas ou de alimentar outras conversas, mas na maioria das vezes não é isso que acontece com os homens. Não posso dizer que todos eles, mas uma gigantesca parcela mantém conversas paralelas com várias mulheres.

Para muitos homens essas conversas são excelentes oportunidades de pôr em prática suas estratégias de sedução e alimentar sua autoafirmação com relação à sua masculinidade na capacidade de seduzir. E aí muitas dessas pessoas, principalmente mulheres, que se encontravam encantadas, acabam se decepcionando, pois percebem logo no primeiro encontro (raramente isso não acontece) um interesse sexual e não o interesse em conhecer melhor, alimentar ou dar prosseguimento a um relacionamento, seja um ficar mais frequente ou um namoro.

Mas será que não existem pessoas que se conhecem nesses sites, que se encantam, que permitem se conhecer melhor, engatam um namoro, conseguem fazer com que a idealização vá sendo confrontada com a realidade, percebendo qualidades interessantes que fazem nascer admiração, fazem crescer o carinho e aí construir esse afeto mais consistente e estável chamado amor? Sim, isso pode acontecer sim. Conheço alguns casos de amores que começaram no mundo virtual, mas é importante ter a consciência cuidadosa que, em muitos desses "sites do momento" a "pegada" é outra, pode ter muita gente bonita, interessante, mas a maioria em busca de seduzir para encontros sexuais e não adianta esperar como cinderela encontrar muitos príncipes!

 




Arlete Gavranic

Psicóloga, Mestre em Educação; Educadora e Terapeuta sexual pela Sbrash, Coordenadora e docente dos cursos de Pós-graduação lato sensu em Educação sexual e em Terapia sexual do ISEXP/ Sbrash. Docente dos cursos de pós-graduação em Educação sexual e Terapia sexual da UNISAL e coordenadora do pós de Terapia Sexual da UNISAL.



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