DESTAQUES

Todos nós buscamos o livre-arbítrio

Roberto Goldkorn 01/01/2016 AUTOCONHECIMENTO
Reencarnação não representa um desígnio moral e edificante

Por Roberto Goldkorn

Há muitos e muitos anos escuto dos 'esotéricos' que nós estamos aqui (no planeta Terra) para evoluir. Dizem e repetem como papagaios que a reencarnação é um processo de aprendizagem contínua. Ou seja, reencarnamos para aprender, como se fosse um processo escolar - primeiro grau, segundo grau, faculdade, pós-graduação... Dizem também que a cada encarnação decidimos por esse ou aquele caminho graças ao nosso 'livre-arbítrio'. Dizem que uma vez a gente vem como rei, outra como mendigo, para podermos experienciar de tudo um pouco. Nada disso no entanto, é verdade! Na verdade isso nada mais é do que aquela manifestação do nosso inconsciente que os americanos chamam the wishful thinking, ou seja, pensamos ser verdade aquilo que de verdade queremos ou desejamos intensamente.

Mas antes de continuar preciso fazer uma parada técnica. As pessoas que me conhecem, que leram os meus livros devem estar pensando: ele pirou, está negando tudo no que acredita. A essas pessoas eu tranqüilizo e peço para voltarem ao início do texto e relê-lo. Não estou negando o processo de reencarnação no qual acredito vivamente e como já disse várias vezes, posso provar a existência! O que quero demonstrar aqui, é que esse processo, está longe de representar um desígnio moral e edificante. Não reencarnamos para melhorar, nem para aprender a viver, reencarnamos por que simplesmente não sabemos fazer outra coisas - como se diz em Direito é uma coação irresistível. Reencarnamos porque somos atraídos magneticamente de volta ao planeta e todos as suas atrações. Reencarnamos porque sempre deixamos o rabo preso aqui: amores frustrados, relações inconclusas, vinganças, débitos, vínculos de família, busca de uma 2ª (3ª,4ª,5ª) chance, e em muitos casos reencarnam por compulsão.

Passos de Hitler

Imaginem a quantidade de seres que reencarnam sem nem mesmo ter uma família para atrai-lo e aninhá-lo, apenas pelo desejo intenso, obstinado, ensandecido de estar no plano denso, lúbrico, das sensações e paixões que é a nossa vida física, nesse planeta. Imaginem alguém como Hitler ou o ex-presidente da Iugoslávia Slobodan Milosevic, e certos traficantes, bandidos cruéis, se eles estão dando um passo adiante no caminho da evolução. Não, olhando-se de um ponto de vista bem distanciado, como os olhos do 'macro', pode-se dizer que o processo de reencarnação visa a evolução, como evoluem o planeta, a galáxia, o universo em direção ao aprimoramento, mas não moral. Até porque moral é uma coisa cultural, variável. O que é moralmente aceitável para uns é abominável para outros tantos. Isso não quer dizer que alguns de nós, não possamos também fazer da reencarnação um grande aprendizado, claro que podemos.

Na verdade o que todo ser esclarecido busca é conseguir aquilo que dizem já termos de forma congênita - o livre-arbítrio! Qualquer um que conhece um mínimo sobre psicanálise, ou mesmo observa com mais cuidado o comportamento humano, sabe que somos meio cegos, meio surdos, meio bobos, meio aleijados. Amamos loucamente a quem não conhecemos, e quando passamos a conhecer melhor - odiamos loucamente. Não sabemos nem mesmo quem somos, ou quantos somos habitando dentro de um só corpo. Somos todos, uns mais outros menos, versões do 'médico e o monstro', ou dos perturbados que abrigam múltiplas personalidades cada uma com um nome e um RG. Onde está esse livre-arbítrio, se as decisões que tomamos em nossas vidas são em grande parte motivadas pelo inconsciente, ou pelo 'transe cultural' (Jung), ou pelos determinismos genéticos que ainda estamos longe de desvendar em toda a sua extensão?

Querer é poder? Conte outra, pois não só não temos aquilo que queremos, como muitas vezes queremos aquilo que não devíamos querer, e até podemos obter, aí já é tarde. Padre Antônio Vieira em um de seus famosos sermões, disse: "Só Jesus amou, por que amou sabendo...".  Não concordo com o advérbio só, mas concordo que amar sabendo, ou seja, com plena consciência de quem eram aqueles que estavam sendo amados, e o que se podia esperar deles, é um atributo do verdadeiro livre-arbítrio. Aprender a Ser, descobrir quem de verdade somos, corrigir com lucidez os rumos da nossa vida, sabendo que ela não se encerra numa encarnação breve e fugidia, escolher caminhos luminosos, não imediatistas, desvencilharmos-nos de dogmas, prescrições feitas por outros homens em determinadas épocas da história, procurar ocupar os espaços ociosos da nossa psique (mente) com nossas próprias e genuínas experiências, esses são apenas alguns dos pré-requisitos para conquistar um dia o livre-arbítrio.

É claro que isso é uma tarefa monumental, por isso, continuaremos a reencarnar, repetindo os mesmos erros, as mesmas palavras de ordem, os mesmos esquemas furados que já no passado levaram a sofrimento e frustração. Mas é assim mesmo. Para os nossos olhos ansiosos de presente, tudo é muito demorado, mas a vida tem seu próprio ritmo, e vai seguir adiante como um imenso rio caudaloso que de tão lento parece um lago, mas que segue o seu caminho inexorável até o oceano.

 




Roberto Goldkorn

É escritor e autor dos seguintes livros: "Feng Shui para Brasileiros - A Medicina da Habitação", "Feng Shui - Energia e Prosperidade no Trabalho", "Feng Shui Para Brasileiros - A Cozinha" - todos pela Editora Campus. "Não Te Devo Nada" e "Solidão Nunca Mais" ambos pela Bertrand Brasil.



ENQUETE

Qual candidato à Presidência terá mais condições de melhorar o índice da FIB (Felicidade Interna Bruta) e o do IDH (índice de Desenvolvimento Humano) do Brasil?





VOTAR!
Vya Estelar - Qualidade de vida na web - Todos os direitos reservados ®1999 - 2018
O portal Vya Estelar não se responsabiliza pelas informações e opinião de seus colunistas emitidas em artigos assinados.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação.