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Entenda a queda de cabelo autoinduzida

Sonia Corazza 01/01/2016 SAÚDE E BEM-ESTAR
O cabelo afrodescendente no Brasil é suscetível à queda pela quebra

por Sonia Corazza

Desde que a Dra. Regina Betz, geneticista da Universidade de Bonn, Alemanha, encontrou o gene causador de uma forma hereditária rara de perda de cabelo, a hipotricose simples, muita coisa andou no campo da pesquisa cientifica voltada para o estudo do cabelo.

Um trabalho conduzido pela equipe do dr. Rucker Wright, no  Departamento de Dermatologia da Universidade Johns Hopkins,  Baltimore, Estados Unidos, mostrou evidências de que algumas práticas de cuidado do cabelo em  garotas jovens afrodescendentes americanas, com idades de 1 a 15 anos,  estão associadas à queda e até à calvície induzida.

99% das meninas avaliadas apresentavam quadro de oleosidade excessiva no couro cabeludo e cabelo. Rabos de cavalo e tranças foram usados por 81% das meninas nos últimos 12 meses. No total, 80%  delas usaram chapinha para alisar os fios e 42% usaram relaxantes químicos. A perda parcial do cabelo acometia fortemente quem estava habituada a usar cabelos trançados tipo dreds.  Mas o que me deixou surpresa foi o fato de que 61% delas  relataram lavar o cabelo  somente a cada duas semanas.

Gente, sabemos que nosso país é constituído de uma população miscigenada, com forte influência da raça negra africana. Por conta do medonho histórico de escravidão, no século XVIII desembarcaram aqui 1 milhão e 600 mil africanos. O último Censo 2010, mostrou que o Brasil não é um país de população majoritariamente branca, pois 96.795.294 pessoas se declararam “pretas” ou “pardas”, totalizando 50,74% do total, ao passo que 91.051.646 se disseram “brancas” (47,73%).

Então a tipologia majoritária do cabelo da mulher e do homem brasileiro obedece a um padrão de fios ultracrespos e frágeis com grande tendência à oleosidade. Esses fatores colaboram diretamente para a fragilidade da haste em relação à quebra. Associado a essa morfologia natural, tratamentos químicos, como por exemplo, alisamento e relaxamento químico, tornam o cabelo afrodescendente suscetível à queda pela quebra.

E o que fazer?

Dá para ajudar a vida e qualidade do fio de cabelo com atitudes simples.

Dicas simples para fortalecer os fios:

- Ingerir proteínas pobres em gordura animal como grãos integrais e peixes magros;

- Adotar uma rotina de higiene usando produtos bem formulados para  limpeza suave como sabonetes liquidos neutros;

- Não prender ou trançar os fios, tensionando em demasia;

- Não se submeter a alisamentos ou qualquer tratamento químico agressivo, entre esses também a tintura e descoloração.

Adote o visual crespo sim, e seja você. Muito mais saudável, muito mais bonita!

 

 




Sonia Corazza

É engenheira química especializada em Cosmetologia. Tem 25 anos de experiência como formuladora de cosméticos. Atuou em empresas líderes no setor. É autora do livro Beleza Inteligente (Madras). Mais informações: www.belezainteligente.com.br



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