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Fragmento de uma sessão de psicoterapia familiar

Redação Vya Estelar 01/01/2016 PSICOLOGIA
Respostas do tipo tudo ou nada são respostas primitivas

por Luís César Ebraico

FILHO (dirigindo-se à mãe, em tom de protesto):  —  Mamãe, o que me deixa irritado é sua maneira escandalosa de reagir diante da mínima coisa que eu faça de errado!  E muitas vezes na frente de outras pessoas que não têm nada que participar disso!

MÃE:  —  Ah, é?  Faço isso porque eu me importo com você!  Mas você prefere que eu não me importe, não é?!  Pois então fique sabendo que não vou mais me importar!  Daqui pra frente, você pode fazer a besteira que você quiser, que eu não vou falar nada!

Os primeiros automóveis tinham uma marcha – no máximo, duas – para frente e uma – quando tinham – para trás;  as primeiras batedeiras e os primeiros liquidificadores elétricos tinham apenas as teclas de 'liga' e de 'desliga'.  Atualmente os automóveis possuem até oito marchas para frente (será que mais?) e até duas (será que mais?) para ré e as batedeiras e liquidificadores apresentam uma infinitude de velocidades de operação.  E qual o significado disso?  O seguinte:

Evolução implica gradação de resposta

Respostas do tipo 'tudo ou nada' são respostas primitivas, isso tanto em nível meramente mecânico, quanto em todos os demais níveis, incluído o nível psicológico. 

“Eu bebo todas ou não bebo nenhuma”,   “Eu faço escândalo ou fico indiferente” são indicadores de funcionamento psicológico pouco maduro.  E, note-se, nada impede que essas áreas não evoluídas de uma personalidade, funcionando segundo o Princípio do Tudo ou Nada coexistam com outras, em que encontramos perfeita gradação.  Que fazer? 

A experiência em clínica psicoterápica tem demonstrado que as dimensões de nossa personalidade que funcionam de acordo com o o Princípio do Tudo ou Nada são áreas em que o a pessoa atingida apresenta DEFICIENTE EXPRESSÃO VERBAL. 

Ou seja, se sou CAPAZ DE FALAR com desenvoltura sobre o espectro de sentimentos que vai desde a mera cordialidade até o mais profundo amor, sou capaz de me comportar de maneira adequadamente gradual nessa dimensão de minha existência;  por outro lado, se não tenho tal capacidade no que diz respeito ao espectro que vai da mera irritação ao profundo ódio, meu comportamento não é devidamente graduado no que diz respeito a essa dimensão. 

E um 'bom menino',  cuja educação e cordialidade era admirada por todos, pode subitamente – e para surpresa de todos que o conheciam – tornar-se um assassino de massa, como os retratados por Michael Moore (diretor, roteirista e ator) no aclamado documentário “Tiros em Columbine”... que faz uma análise sobre a obssessão americana às armas de fogo.




Redação Vya Estelar



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