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Inconsciente influencia na escolha de par amoroso

Redação Vya Estelar 01/01/2016 COMPORTAMENTO
É importante confiar no parceiro

Por Carla Regino

Neste artigo explicarei por que existem tantos problemas nos relacionamentos. A discussão deste texto é guiada pela noção de homem oferecida a nós pelo psiquiatra suíço C. G. Jung (1875-1961), um dos grandes conhecedores da alma humana.

Podemos dizer que a maioria dos problemas nos relacionamentos surge pois, ao optarmos por um parceiro, existe uma grande influência do inconsciente em nossa escolha. Muitas vezes o que move o inconsciente é bem diferente do que move o consciente. Em toda relação existe um lado inconsciente da psique (mente) que perpassa pelo casal. Para esclarecer, falarei sobre o desenvolvimento da psique humana.

Quando nascemos ainda não temos nenhuma parte de nossa consciência desenvolvida, por isso temos pouquíssimas lembranças de nossos primeiro anos de vida. Mas ao longo de nosso desenvolvimento, nossa consciência vai se desenvolvendo como pequenas ilhas. Quando chegamos à fase adulta, nossa psique tem ilhas de consciência em mais quantidade e maiores. Mas sempre existirão partes da psique que se mantêm inconscientes. Portanto, quanto maior a área de inconsciência de uma psique, menor a opção que fizermos por um parceiro, será baseada na livre-escolha, pois 'forças ocultas' estarão influenciando fortemente. Esta dinâmica explica porque tantas pessoas se envolvem em relações destrutivas e não conseguem sair.

Os motivos inconscientes que levam os indivíduos a se relacionar podem ser de natureza pessoal e geral. O relacionamento que o indivíduo teve quando criança com seus pais, irá influenciar fortemente sua escolha por um parceiro. Pois geralmente este quando criança, terá absorvido inconscientemente a vida que seus pais gostariam de ter vivido, mas não viveram por medo, insegurança, regras sociais e morais. É como se a criança desenvolvesse sua personalidade em volta desta influência inconsciente, para compensar tudo que seus pais não conseguiram satisfazer. O resultado prático disso é uma identidade inconsciente e, por causa de sua especificidade, não conseguimos distinguir seus conteúdos.

Portanto, quando escolhemos um parceiro por motivos inconscientes (que ocorre na maioria dos casos) não há uma relação verdadeira, pois o indivíduo não consegue diferenciar o que ele é do que ele não é. E por causa desses fatores, assumimos que o outro tem uma vida psicológica como a nossa e nos sentimos totalmente identificados com o outro. Isso nos faz sentir que somos um só corpo, uma só mente com nosso parceiro, que é uma experiência que tivemos na barriga das nossas mães e nos traz muito prazer e segurança. A volta a este estado fica clara quando observamos os casais apaixonados que voltam a ter maneirismos de criança. Esta sensação de estar fundido com o outro, é uma experiência que pertence à instância do divino, que transcende e abafa tudo que é individual.

A necessidade do indivíduo de ter uma identidade própria acaba por completo neste estado, a mulher se torna a mãe, e o homem o pai, ambos são roubados da sua liberdade de ser e se tornam puro instrumento biológico da vida para a preservação da espécie. Neste caso o objetivo da relação se torna coletivo. Suas necessidades pessoais parecem não importar mais, perdem toda sua identidade pessoal. Toda essa dinâmica de 'bastidor' que ocorre faz com que muitos casais se separem, já que projetam no outro suas turbulências internas. Culpam seu parceiro por não conseguirem mais ter uma identidade própria, outros querem novidade e optam por trocar de parceiro para sentir novamente aquela sensação de ser um com alguém.

Outro grande problema desta fusão com o outro é que os parceiros esperam que todas suas necessidades sejam preenchidas pelo seu companheiro. Mas depois de certo tempo percebemos que o outro não conseguirá suprir todos nossos buracos e nos sentimos frustrados. Acabamos acreditando que aquela pessoa só tem aquilo para nos oferecer e optamos por trocar de parceiro para obter uma renovação.

Mas a verdade é que existe algo de errado com o modelo de casamento e namoro. É porque nos mantemos fechados na relação, que mais para frente sofremos tanto. Não podemos esquecer que nós não temos só um lado, mas somos como um diamante com várias faces. E que realmente fica muito chato quando ficamos fixados a certas características e não nos permitimos explorar as outras. E é impossível se relacionar com nossas outras faces se nos fecharmos, e pretendermos obter todas as satisfações das nossas necessidades somente com uma pessoa.

A sociedade em geral tem uma regra não escrita que, uma vez que estamos com alguém, devemos fazer tudo com essa pessoa: jantar fora, sair para dançar, viajar, conversar, rir, ir ao teatro e ao cinema. Se sentirmos vontade de fazer alguma dessas coisas com um amigo do sexo oposto e por alguma razão nosso parceiro não pode ir junto ou não está com vontade, pronto, o barraco está armado!

O importante é ter confiança no parceiro e sempre conversar um com o outro para encontrar soluções criativas, inteligentes e que ambos possam se satisfazer e explorar a vida e o mundo. Nunca esquecendo do respeito e da ética necessária para fazer um relacionamento dar certo.

Só é possível nos relacionarmos verdadeiramente a partir da nossa consciência, pois é nela que reside o ego e a identidade. Só podemos falar em uma relação psicológica individual quando as motivações inconscientes foram reconhecidas e a identidade original quebrada. É muito difícil uma relação se desenvolver em uma relação de natureza individual sem crise, e a maioria dos indivíduos só terá essa consciência quando chegar à metade de suas vidas. Pois no começo tudo é novidade, nossas paixões nos movem. Mas aos poucos imperceptivelmente a vida vai se tornando só obrigação. Passamos a viver só pelos nossos filhos ou pelo nosso trabalho e começamos a nos questionar quais são nossas reais motivações. Finalmente começamos a nos descobrir. Mas esse insight geralmente traz muita desorganização psíquica e dor. Mas a consciência não pode nascer sem dor.

A consciência humana tem que passar por todo esse desenvolvimento sofrido. A sensação de sermos um é uma ilusão e se sempre quisermos voltar a ela estaremos no privando de conhecer outros lados da vida e do relacionamento, que são tão maravilhosos como este primeiro estado.




Redação Vya Estelar

Ângelo Medina é editor-chefe do portal Vya Estelar. É jornalista e ghost writer. Com 30 anos de experiência, iniciou sua carreira na cobertura das eleições à Prefeitura de São Paulo em 1988 (Jornal da Cultura). Trabalhou no Caderno 2 - O Estado de São Paulo, Revista Quatro Rodas (Abril). Colaborou em diversas publicações e foi assessor de imprensa no setor público e privado. Concebeu o site Vya Estelar em 1999. É formado em Comunicação Social pela UFJF - Universidade Federal de Juiz de Fora.



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