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É verdade que homens trocam mulheres independentes pelas mais carentes?

Anette Lewin 01/01/2016 COMPORTAMENTO
Na relação saudável é preciso que um ser coloque no lugar do outro

por Anette Lewin

Embora a generalização, em se tratando de comportamento humano, seja um recurso muito simplista, essa questão pode ser reformulada da seguinte maneira: homens podem preferir mulheres que os fazem sentir-se necessários?

As mulheres independentes, embora num primeiro momento pareçam atraentes aos homens, muitas vezes usam sua independência para reafirmar a seus parceiros que não precisam deles para nada. Aí é que mora o perigo. Ninguém gosta de se sentir dispensável, muito menos os homens que, durante um grande período histórico, foram indispensáveis como provedores de quase tudo.

A independência feminina é uma conquista recente e, muitas vezes o orgulho que as mulheres sentem de poderem se responsabilizar pelo próprio sustento e pelas próprias escolhas, as faz esquecer de reafirmar a importância de seus parceiros em sua vida amorosa.

Esse comportamento pode trazer à tona na fantasia masculina, a mulher carente. Ou seja, aquela para a qual qualquer migalha oferecida é um presente enorme que provoca sorrisos, gratidão e, consequentemente, faz renascer no homem a sensação prazerosa de ser útil.

As mulheres independentes que conseguem segurar seus parceiros, certamente entendem essa questão e sabem pedir e aceitar o que seus parceiros podem lhes oferecer. Pequenas coisas como abrir aquela tampa que está dura, trocar o pneu do carro, agradecer o pequeno mimo, mesmo quando ele não agradou tanto ou tentar interessar-se pelos assuntos do trabalho do parceiro são suficientes para reafirmar a importância deles na vida delas.

A mulher carente ou dependente, por sua vez, embora no nível da fantasia possa adquirir significado atraente para o homem, não costuma estabelecer um vinculo afetivo muito saudável nos dias de hoje. O parceiro, depois de algum tempo, embora tenha sua autoestima preenchida pelo que proporciona, pode se cansar da responsabilidade unilateral e perceber que, no fundo, a mulher carente nunca estará plenamente satisfeita de verdade. Coisa de quem foca sua felicidade no outro.

Na relação afetiva saudável, independentemente das características de dependência ou independência, carência ou autossuficiência, as pessoas envolvidas devem saber se colocar no lugar do outro e entender que dar e receber são atitudes complementares e indispensáveis na relação amorosa. E que saber receber muitas vezes pode ser muito mais difícil do que poder dar. Isso porque ao receber, a pessoa acaba proporcionando ao outro a sensação de bem-estar mais essencial e primitiva que existe: de servir para alguma coisa nessa vida.

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Anette Lewin

É psicóloga graduada pela PUC/SP. É psicoterapeuta de adultos e adolescentes em consultório particular desde 1975 até a presente data.



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