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Meu potencial empregador é meu atual cliente. Seria antiético abordá-lo?

Roberto Santos 01/01/2016 COMPORTAMENTO
Essa abordagem envolve uma série de riscos

por Roberto Santos

"Já há algum tempo penso em mudar de emprego e encontrei poucas alternativas. Umas das que me interessou, porém, levanta-me uma questão ética: Devo abordar o cliente (potencial empregador) da empresa onde trabalho, visto que tenho as competências para desempenhar o cargo para o qual estão recrutando pessoal?"

Resposta: Primeiramente, tenho que elogiá-la por reconhecer o problema ético com o qual se deparou em seu caso.

Ignorar o dilema poderia até facilitar sua vida, mas abriria um precedente em sua carreira que poderia significar um mau começo no novo empregador e uma saída com o pé esquerdo do atual. É claro que todas as pessoas devem ter liberdade para decidir onde vão trabalhar quando não se sentem satisfeitas no emprego atual.

Principalmente, das últimas duas décadas para o presente, a troca de empregos com uma frequência maior deixou de ser algo criticado e repudiado em processos seletivos. Quando se está empregado, temos um dever para com nosso empregador primordialmente; um dever que poderia ser chamado de lealdade, ainda que essa não signifique qualquer impedimento para buscar alternativas de emprego como você menciona ter feito.

Entretanto, ao se interessar por um trabalho em um cliente de seu atual empregador, a situação fica um tanto cinzenta. Abordar um cliente de sua empresa atual onde há uma vaga que lhe interessa, pode implicar em uma série de riscos: ser repelido pelo cliente pelo mesmo dilema ético ou não atender os requisitos ou de ficar mal com seu atual empregador por ter abordado o cliente sem que ele soubesse.

Em iniciativas audaciosas com potencial de sucesso, costumam existir riscos associados. Tratamos aqui não do risco de tentar um emprego e não conseguir, mas do risco de ferirmos a ética com o atual empregador. Assim, a melhor recomendação é a de solicitar a autorização do chefe para fazer uma abordagem clara e transparente ao cliente sobre a vaga.

Corre-se o risco de se "queimar" com a chefia atual é verdade, mas não por falta de ética. Olhando pelo lado positivo, há a chance de ser liberado pelo chefe atual para buscar a oportunidade em outra empresa e ser bem- sucedido. Além do mais, não é raro encontrarmos situações em que "ceder" um talento para um cliente é mais uma forma de satisfazê-lo como cliente preferencial. De qualquer maneira, ficar do lado da ética é sempre o melhor caminho.




Roberto Santos

Profissional de Recursos Humanos, com mais de 40 anos de atuação no mercado, Roberto teve diversas posições como profissional e executivo de RH em multinacionais de grande porte. É sócio-diretor da Ateliê RH, consultoria com mais de 14 anos de atuação no mercado, e distribuidor Hogan no Brasil. Mais informações: www.atelie-rh.com.br



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