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Aprenda a exercitar sua capacidade de autorreflexão

Elisandra Vilella G. Sé 01/01/2016 AUTOCONHECIMENTO
Nossas crenças de autoeficácia controlam nossas atuações

por Elisandra Vilella G. Sé

As capacidades de simbolizar, planejar estratégias alternativas, aprender com experiências vicárias (de outrem), autorregular e autorrefletir, são capacidades básicas que definem o ser humano. Essas capacidades proporcionam aos seres humanos os meios cognitivos (capacidade de aquisição de conhecimento) pelos quais influenciam e determinam o seu próprio destino.

Somos seres simbólicos. Essa capacidade de usar símbolos nos diferencia dos animais e nos ajuda a extrair significados ou atribuir significados ao ambiente e às ações. Essa capacidade de lidar com o simbólico, é que permite elaborar estratégias para resolução de problemas, aprender, orientar comportamentos, armazenar informações, usar os conhecimentos de forma variada, ter pensamento reflexivo e atuar no mundo.

Pelo uso de símbolos, as pessoas planejam linhas de ação, preveem as consequências prováveis dessas ações e estabelecem objetivos e desafios pessoais, de modo que possam motivar-se, orientar-se e regular suas atividades. É por causa da capacidade de planejar estratégias alternativas, que se podem prever as consequências de uma ato, sem chegar a executá-lo.

Capacidade de autorreflexão

Para Bandura (1986), a capacidade que é mais “distintamente humana” é a da autorreflexão. É através da autorreflexão que as pessoas exploram suas próprias cognições, habilidades, se autoavaliam, planejam novas ações, novas estratégias, novos desafios e modificam seu comportamento. Nessa capacidade de autorreflexão, também chamada de habilidade metacognitiva, estão os julgamentos que as pessoas fazem de suas próprias habilidades para organizar e executar suas ações e alcançar determinados tipos de desempenhos em diversas tarefas.

Julgamento próprio = crença de autoeficácia

Esses julgamentos que fazemos de nós mesmos são as chamadas crenças de autoeficácia. Diz respeito ao quanto acredito em minhas competências, capacidades, habilidades para realizar algo e alcançar os resultados que desejo. Muitas vezes o sucesso ou o fracasso está associado nas crenças de autoeficácia. A motivação, os estados afetivos e as ações das pessoas baseiam-se mais no que elas acreditam, do que no que é objetivamente verdadeiro. As crenças influenciam muitos aspectos da vida e ajudam a determinar os resultados.

Estudos na área (Bandura, 1997)1, mostram que pessoas que pensam de forma produtiva, capaz e otimista perseveram em uma atividade, se automotivam, acreditam em suas ações. São indivíduos que regulam melhor seu pensamento e seu comportamento, apresentando os resultados que desejam.

Apresentar bom desempenho em tarefas do dia a dia depende de muitos fatores. O sucesso ou fracasso que as pessoas encontram à medida que executam as muitas tarefas que compreendem a sua vida, naturalmente influenciam as muitas decisões que devem tomar. Além disso, o conhecimento e as habilidades que possuem, certamente desempenharão papéis críticos no que decidem fazer ou não fazer.

Assim, a forma como as pessoas agirão, por meio de suas crenças em suas capacidades, ajudam a determinar o que os indivíduos fazem com o conhecimento e as habilidades que possuem. Isso ajuda a explicar por que os comportamentos das pessoas às vezes não estão relacionados com suas capacidades reais e por que o seu comportamento pode ser diferente ou abaixo do esperado, mesmo que tenha conhecimentos e habilidades semelhantes a dos outros.

Crenças de autoeficácia do que realmente a pessoa é capaz de realizar, muitas vezes reverberam no desempenhos de tarefas e na resolução de problemas no dia a dia. E às vezes a pessoa acredita ser capaz de realizar tal tarefa, ou aprender algo e isso na realidade não ocorre. As realizações das pessoas são melhores previstas pelas crenças de autoeficácia somadas às realizações anteriores, ou seja, o que você já desempenhou antes, o que você já mostrou ser capaz de fazer.

As expectativas que temos das nossas realizações, quando nos engajamos em alguma atividade ou tarefas em grupo, estão relacionadas à avaliação que fazemos das nossas crenças de autoeficácia. Nós avaliamos o tempo todo aquilo que podemos realizar ou não.

Um sentido de eficácia elevado demais pode não levar a resultados esperados. É preciso sempre de um ajuste, por isso é essencial nossa capacidade de autorreflexão, autoconhecimento e autoconversação.

Então para melhorar sua atuação, comece a analisar o que você está dizendo para si mesmo, para manter sua vida mais ativa, satisfatória e saudável com resultados positivos, afetos positivos e bem-estar.

Aprenda a exercitar sua capacidade de autorreflexão

As crenças de autoeficácia podem lhe ajudar a agir da seguinte maneira:

Como está a minha atuação em determinada tarefa?

Como tenho feito minhas atividades?

Como tenho me relacionado com as pessoas?

Minhas atuações reforçam uma imagem positiva ou negativa?

Como me sinto a respeito de mim mesmo? Confiante, não confiante?
.
Como posso atuar ou resolver problemas da próxima vez?

Da próxima vez posso fazer melhor?

Fazendo essa autorreflexão e visualizando como você quer que sejam suas atuações, suas atividades, seus resultados e estabelecendo metas de vida, você terá um bom funcionamento, enfrentará melhor os desafios e situações de estresse.

Cancele ou delete críticas depreciativas ou opiniões negativas; reforce sua autoimagem; registre uma imagem positiva de suas habilidades. Nossas crenças de autoeficácia controlam nossas atuações.

1 Albert Bandura (1997) Teoria social cognitiva. Artmed.
Professor of social Science in Psychology Stanford University (Califórnia, EUA)




Elisandra Vilella G. Sé

Fonaoudióloga pela Faculdade Tereza D'Ávila de Lorena (FATEA/USC) (1995), Mestre em Gerontologia pela Faculdade de Educação da UNICAMP (2003); Doutorado em Linguística - Área de Neurolinguística pelo Instituto de Estudos da Linguagem da UNICAMP (2011); Especialista em Educação em Saúde para Preceptores do SUS pelo Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio Libanês (2013); foi pesquisadora visitante na Associação Alzheiemr Portugal em Lisboa (2013); Coordenadora da ABRAZ - Associação Brasileira de Alzheimer - sub-regional Campinas e Jaguariúna.



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