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Danilo Baltieri 01/01/2016 COMPORTAMENTO
Não existe uma fórmula única para o bom funcionamento familiar

por Danilo Baltieri

"Ela é manipulada por ele e está viciada."

Resposta: Os casos de abuso e de síndrome de dependência de substâncias sempre devem ser avaliados pelos profissionais de saúde mental através de perspectivas amplas e diversificadas, incluindo a natureza da própria substância e dos seus efeitos, as relações do usuário com os familiares e pares, os efeitos das crenças pessoais e grupais, as relações com os fornecedores das substâncias, dentre outros fatores.

Em alguns casos, especialmente entre adolescentes, é particularmente importante aos profissionais da saúde dar atenção à rede de parceiros do usuário envolvidos na troca de informações sobre fornecedores, no compartilhamento do uso e nas eventuais “ajudas” para angariar a droga ou mesmo para disfarçar os efeitos.

Nesses casos, os pares usuários de substâncias comumente são o único grupo de referência para o sujeito dependente e a relação entre esse sujeito e o grupo pode se tornar progressivamente mais intensa. Também, o funcionamento familiar deve ser intensamente revisto objetivando detectar “falhas” nos relacionamentos e problemas de comunicação.

Na verdade, o adequado funcionamento da família é um dos principais fatores de prevenção contra o abuso e dependência de substâncias entre os seus membros.

No campo da dependência química, todo ano cerca de 90% dos indivíduos dependentes de álcool e/ou outras drogas não se engajam em qualquer forma de tratamento médico ou psicossocial para esse problema. Nesses casos, os familiares têm a opção de eles mesmos iniciarem um tratamento objetivando a resolução do problema.

Não existe fórmula única, mas várias propostas terapêuticas

Não existe uma fórmula única para o bom funcionamento familiar, nem tampouco para o tratamento familiar nos casos de um dos membros com problemas relacionados ao uso inadequado de substâncias psicoativas. Na verdade, várias propostas terapêuticas existem e são recomendadas de acordo com o problema detectado. Logo, há a necessidade da procura por um profissional adequadamente especializado na área, para o estabelecimento do manejo familiar e das suas disfunções.

O envolvimento de membros da família do dependente químico adulto jovem ou adolescente no tratamento é essencial, porque comumente os pais ainda exercem substancial influência sobre a vida dos filhos. Além disso, freqüentemente, esses jovens são dependentes dos pais, não apenas emocionalmente, mas também financeiramente.

Deve-se ressaltar que alguns membros familiares do sujeito dependente químico acabam por se tornar completamente dependentes dos problemas desse sujeito, direcionando toda a sua energia para ele. Esse familiar co-dependente precisa ser tratado, porque além do intenso sofrimento pelo qual passa, pode terminar por dificultar a recuperação do seu ente relacionado. Pessoas que já apresentam problemas psicológicos ou mesmo já imersas em seus próprios problemas pessoais e relacionais são mais vulneráveis ao desenvolvimento da co-dependência.

Durante o processo de desenvolvimento da co-dependência, pode-se observar:

a) Abandono progressivo dos próprios objetivos e metas;

b) Minimização dos comportamentos do membro dependente;

c) Encobrimento de comportamentos absolutamente inadequados do dependente;

d) Aparentar felicidade para os outros, quando na realidade, existe muita tristeza;

e) Evitar conflitos para manter as aparências;

f) Ser desrespeitada continuamente;

g) Permitir que seus próprios valores sejam deturpados e ameaçados;

h) Acusar-se repetidamente pelos problemas familiares;

i) Acreditar que não há outras opções, além de continuar se comportando da mesma forma.

As conseqüências da co-dependência podem ser devastadoras, como por exemplo:

a) Autonegligência;

b) Perda de amigos;

c) Sonhos perturbadores;

d) Mudanças do sono e apetite;

e) Estresse continuado e vários problemas e distúrbios advindos dele;

f) Pensamentos de morte;

g) Problemas financeiros;

h) Assumir deveres e responsabilidades do dependente;

i) Humilhação.

Dessa forma, vale a pena um consulta com profissional capacitado na matéria em questão, objetivando a resolução, ou pelo menos, a amenização do seu problema atual. Os dependentes químicos precisam de tratamento médico e psicossocial; os co-dependentes também.

Atenção!
As respostas do profissional desta coluna não substituem uma consulta ou acompanhamento de um profissional de psiquiatria e não se caracterizam como sendo um atendimento

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Danilo Baltieri

Médico psiquiatra. Mestre e doutor em Medicina pelo Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Atualmente é coordenador geral do Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas do Instituto de Psiquiatria da FMUSP (GREA-IPQ-HCFMUSP).Tem experiência em Psiquiatria Geral, com ênfase nas áreas de Dependências Químicas.



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