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Qual é a quantidade e intensidade de exercício físico adequado à melhora da saúde mental?

Ricardo Arida 01/01/2016 SAÚDE E BEM-ESTAR
Exercício físico de baixa ou média intensidade é considerado eficaz ...

por Ricardo Arida

Muitas pesquisas têm mostrado a associação entre atividade física e saúde mental. Temos abordado frequentemente este assunto em textos anteriores. Entretanto, um trabalho publicado recentemente* mostrou a relação dose-resposta entre atividade física e saúde mental. Nesse sentido estudos geralmente mostram uma associação inversa entre atividade física e incidência de depressão e declínio cognitivo.

Os resultados desses estudos são difíceis de interpretar porque não existe um acompanhamento adequado desses efeitos por longo período de tempo. A razão para alguns dados conflitantes entre estudos pode estar relacionada a avaliações incompletas, isto é, que não abrangem todos os tipos de atividade física e/ou diferentes métodos utilizados para avaliar a saúde mental. Como resultado, a quantidade e o tipo de atividade física requerida para obter os benefícios da saúde mental não estão claramente estabelecidos.

Alguns estudos tentaram explorar este tópico. Por exemplo, estudo prévio realizado em crianças e adolescentes não demonstrou diferenças significativas entre os efeitos do exercício físico de alta e baixa intensidade na saúde mental. Por outro lado, outro estudo mostrou que a prática de atividades físicas com alto gasto de energia provocavam maior redução no estado de depressão em relação às atividades físicas com gasto energético mais baixo. Dessa forma, um grupo de pesquisadores da Escócia examinou a associação entre diferentes tipos e volume de exercício e saúde mental usando um questionário. O principal achado do estudo demonstrou uma forte associação entre atividade física e baixas alterações nos aspectos psicológicos desses indivíduos. Os benefícios da saúde mental foram observados com um mínimo de atividade física por 20 minutos/semana com qualquer tipo de atividade.

O exercício físico está associado com uma redução do risco de doenças crônicas como diabetes, hipertensão, câncer, entre outros e provocam alterações da saúde mental como a depressão e demência como conseqüência dessas doenças. Devemos deixar claro que também é possível que os benefícios adicionais ganhos com a participação de atividades esportivas podem ter um componente psicológico, como a integração social.

Baseado nos dados desse recente estudo e dos dados da literatura podemos reforçar que o exercício físico de baixa ou média intensidade é considerado eficaz não somente na melhora da função cardiorespiratória e de outros sistemas do nosso organismo como também para a saúde mental do indivíduo, isto é, depressão, ansiedade, autoestima, etc.

*Hamer M, Stamatakis E, Steptoe A. Dose-response relationship between physical activity and mental health: the Scottish Health Survey. Br J Sports Med 2009;43:1111-1114.

 




Ricardo Arida

Possui graduação em Educação Física pela Universidade de São Paulo (1980), mestrado em Medicina (Neurologia) pela Universidade Federal de São Paulo (1995), doutorado em Medicina (Neurologia) pela Universidade Federal de São Paulo (1999) e pós-doutorado pela Universidade de Oxford-UK. Atualmente é professor adjunto da Universidade Federal de São Paulo. Tem experiência nas áreas de Neurociências e Fisiologia do Exercício Mais informações: www.ricardoarida.wordpress.com



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