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Teoria dos cinco elementos é aliada da fisioterapia

Juliana Prestes Mancuso 01/01/2016 SAÚDE E BEM-ESTAR

por Juliana Prestes Mancuso

A medicina tradicional chinesa é uma especialidade reconhecida pela fisioterapia. Por isso, vou abordar aqui a teoria dos cinco elementos, por ser uma teoria interessante para o surgimento de várias doenças.

A teoria dos cinco elementos é um sistema filosófico aplicável não só à medicina, mas a tudo. Os cinco elementos podem ser entendidos como fases ou movimentos das energias Yin e Yang.

Os elementos água, madeira, fogo, terra e metal representam as forças naturais que juntas formam um ciclo dinâmico.

Mas por que foram escolhidos esses elementos como essenciais?

Os cinco elementos representam as atividades das forças Yin e Yang se alternando nos ciclos de mudanças na natureza, que regulam a vida na Terra.

Também chamados de cinco movimentos, definem vários estágios de transformação que acontecem nas mudanças de estações: crescimento e declínio; mudanças do clima; sons e sabores e emoções na psicologia humana. Agora vou explicar como se dão esses movimentos/transformações através da teoria dos cinco elementos.

Teoria dos cinco elementos

Cada energia está associada a um elemento cuja função parece-se com a função dessas energias, daí terem o seu nome.

Os elementos simbolizam atividades de energia com as quais estão associados. As manifestações da força Yin e Yang, na Terra e as cinco fases de energia representam vários estágios de vazio e cheio, pelas quais essas energias passam ao equilibrar um determinado sistema energético (por ex: o corpo humano).

A água é a fase de energia associada ao inverno, quando prevalece a força Yin. O inverno é o tempo do descanso, da quietude, quando a energia é poupada, recolhida, condensada, conservada e armazenada. A água é um elemento muito concentrado, um grande potencial.

No corpo humano, a água está associada aos fluidos essenciais, como o sistema linfático, a medula, as enzimas, o sangue e todos com um grande potencial energético. A sua cor que representa esse elemento é o preto - que contém todas as outras cores de forma concentrada ou o azul noite.

Na natureza, a água evapora com o excesso de calor; nos seres humanos a energia da água é libertada pelo excesso de estresse e de emoções fortes. A forma de se conservar a energia da água é através da quietude e do repouso. Tem de se manter o “frio”.

A próxima fase do ciclo das estações do ano é a primavera, surge o elemento madeira do potencial energético da água, assim como as plantas florescem na terra na primavera. Este é o novo estágio Yang do ciclo das energias. A fase madeira é expansiva, alegre e explosiva. É uma geração criadora de energia, despertando o desejo sexual de procriar. Está associado ao vigor, à juventude, ao crescimento e ao desenvolvimento. A energia da madeira pede livre expressão e espaço para dar vazão à sua expansão. Se bloquearmos o seu desenvolvimento, criamos sentimentos de frustração, raiva, ciúme e estagnação.

Assim como a primavera se desenvolve naturalmente para o verão, também a energia expansiva e criativa da madeira amadurece para a energia florescente do Yang velho, a energia do fogo. Essa é a fase mais cheia de energia de todo o ciclo, quando acontece a fase mais quente da energia Yang cheia.

O fogo está associado ao coração, que é o local das emoções e o órgão que distribui o sangue e a sua energia pelo corpo. A sua cor é o vermelho, a cor do sangue e do calor. Essa energia está associada ao amor e à compaixão, à generosidade e à alegria, à abertura e à abundância. Se bloquearmos essa energia, o resultado é a hipertensão, os problemas de coração e as desordens nervosas.

No final do verão chega o momento de interlúdio, de perfeito equilíbrio quando a energia do fogo diminui, transformando-se em energia da terra, nem muito Yin nem muito Yang. Este momento é o clímax do ciclo. O humor das cinco fases está em harmonia nesse momento, trazendo uma sensação de bem-estar e plenitude. A sua cor é o amarelo, a cor do sol e da terra. Na anatomia humana está associada ao estômago, ao baço e pâncreas que estão situados no centro do corpo e alimentam todo o sistema do corpo.

Quando o verão passa para o outono, a energia da terra transforma-se em metal. Durante a fase metal, a energia começa novamente a condensar-se, a contrair-se e volta-se para dentro para se acumular e armazenar. Nesta fase libertamos tudo o que está gasto, como as folhas das árvores que caem para poupar a essência.

Nessa fase se não houver bastante energia para contrair, não haverá força suficiente para passar o inverno e o próximo ciclo da madeira/primavera será fraco. A cor da fase do metal é o branco, a cor da pureza e da essência. Assim como o metal é a energia refinada extraída da terra e lapidada pelo fogo, o outono é a estação onde devemos extrair aprendizagens das atividades do verão.

A energia do metal controla o pulmão, que extrai a energia essencial e expele as toxinas do sangue e do intestino grosso, que elimina a impureza, enquanto retém e recicla a água do organismo. O outono é a estação da introspecção e da meditação, de reciclar sentimentos antigos, apegos externos e o excesso de emoções adquiridas durante o verão.

Se resistirmos a esta energia e ficarmos aprisionados no passado poderemos criar estados de melancolia, de tristeza e depressão, que se manifestam com dores nas costas, dificuldades respiratórias, problemas de pele e diminuição da resistência.

Fisiologicamente, a Teoria dos Cinco Elementos é a unidade do relacionamento mútuo entre os órgãos e os tecidos corporais, bem como, entre o corpo humano e a natureza.

Entender a natureza é entender o ciclo da vida, é respeitar os limites do corpo e entrar em harmonia consigo mesmo em uma tentativa de liberar toda energia contida. E assim extravazar as emoções ruins, contribuindo para o sucesso do tratamento e, consequentemente, da fisioterapia.




Juliana Prestes Mancuso

É formada pela Universidade Anhembi Morumbi, especializada em Fisioterapia Ortopédica e Traumatológica pelo Instituto Cohen de Ortopedia e Medicina Esportiva, Fisiologia do Exercício pela Universidade Veiga de Almeida, Fisioterapia do Sistema Musculoesquelética pela Universidade São Marcos e em acupuntura e medicina chinesa pelo Centro Científico Cultural Brasileiro de Fisioterapia. É responsável pelo site e grupo de discussão Fisioterapeutas Plugadas.



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