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Sinto-me desesperado no meu ambiente de trabalho. O que fazer para relaxar?

Eduardo Ferreira Santos 01/01/2016 COMPORTAMENTO
Síndrome de fadiga crônica requer acompanhamento psiquiátrico ou psicológico

por Eduardo Ferreira Santos

"Tenho 25 anos e trabalho como coordenador de compras em uma empresa multinacional. Ultimamente tenho enfrentado problemas em meu ambiente de trabalho, o que tem me trazido grandes frustrações e alguns conflitos interpessoais. De modo geral, busco sempre me motivar, mentalizando meu desejo de fazer as "coisas acontecerem", mas já há alguns meses, esses meus exercícios não vêm surtindo efeito. Quando estou no ambiente de trabalho, sinto-me desesperado, com vontade de largar tudo... Tenho acordado muito indisposto e quanto volto pra casa no fim do dia, não consigo me desligar do meu trabalho, fico pensando nos problemas da empresa e acabo sonhando com o trabalho. Isso está cada dia pior e nos finais de semana já não sinto mais vontade de sair, geralmente quero ficar em casa e descansar. Mesmo quando passo o final de semana em casa, na segunda-feira volto a me sentir cansado e mal. Gostaria que pudesse me indicar um profissional que possa me ajudar ou algum exercício que possa trazer alguma mudança para isso. Desde já agradeço a atenção."

Resposta: Você parece apresentar um quadro clínico cuja característica essencial é a de uma queixa relacionada com a existência de uma maior fatigabilidade que ocorre após esforços mentais intrusivos e repetitivos, frequentemente associada a uma diminuição do desempenho profissional e da capacidade de fazer face às tarefas cotidianas. A fatigabilidade mental é descrita como uma intrusão desagradável de associações ou de lembranças que distraem a atenção, dificuldade de concentração e pensamento geralmente ineficiente.

Além disso, queixa-se de fraqueza corporal ou física e um sentimento de esgotamento após esforços mínimos, acompanhados de um sentimento de dores musculares e incapacidade para relaxar, assim como sensações físicas desagradáveis, tais como vertigens, cefaleias tensionais e uma impressão de instabilidade global. Há, também, queixa de inquietudes com relação a uma degradação da saúde mental e física, irritabilidade, anedonia, depressão e ansiedade generalizada. O sono frequentemente está perturbado nas suas fases inicial e média, mas a hipersonia também é proeminente, resultando numa péssima qualidade de sono e, consequentemente, um estado de vigilância comprometido.

Reconheço nesses sintomas um quadro de NEURASTENIA (CID 10: F48.0), hoje chamado de Síndrome de Fadiga Crônica que, por ser também relacionado particularmente às atividades de trabalho, é conhecido popularmente como síndrome de burnout.

A solução é procurar um psiquiatra ou psicólogo para que seu caso seja melhor avaliado e, pelo visto, está indicada uma boa psicoterapia (em qualquer linha de pensamento) associada ou não à medicação e suporte vitamínico

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Eduardo Ferreira Santos

Psiquiatra e psicoterapeuta. Obteve Titulo de Mestre em Psicologia Clínica pela PUC-SP e o de Doutor em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina na USP. Escreveu os seguintes livros sobre relacionamento amoroso: Casamento missão (quase) impossível; Ciúme: O medo da perda; Ciúme: O lado amargo do amor Mais informações: www.ferreira-santos.med.br



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