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Exercício físico pode auxiliar na prevenção de enxaqueca, indica estudo

Ricardo Arida 01/01/2016 SAÚDE E BEM-ESTAR

por Ricardo Arida

Os médicos usam uma variedade de tratamentos com ou sem fármacos para prevenir enxaquecas. Terapias como relaxamento e controle do estresse têm sido grandemente utilizadas e muitas vezes com resultados eficazes.

Dentre os tratamentos não farmacológicos, os mais bem documentados incluem os exercícios de relaxamento. Ainda, estudos científicos têm avaliado o efeito do exercício aeróbico na frequência e intensidade da enxaqueca.

Apesar dos efeitos positivos do exercício físico no tratamento para melhorar a enxaqueca, não existe muitas evidências científicas de que ele realmente funcione.

Dessas evidências, um estudo mostrou que um programa de exercício físico aeróbio apresentou-se seguro e útil em melhorar a capacidade de exercício, sem deterioração do status do participante com enxaqueca (1).

Por outro lado, alguns trabalhos relatam o exercício físico como um fator desencadeante de enxaqueca, o que pode ser uma razão para alguns pacientes evitarem as atividade físicas. Nesse sentido, tem sido observado que indivíduos com enxaqueca e outras dores de cabeça são menos ativos fisicamente do que aqueles sem dores de cabeça (2).

Uma pesquisa da Academia Sahlgrenska da Universidade de Gotemburgo, na Suécia, mostrou que o exercício físico pode ser tão bom quanto drogas na prevenção de enxaquecas.

O estudo envolveu 91 pacientes com enxaqueca, um terço dos quais foram convidados a praticar 40 minutos de exercício aeróbio, três vezes por semana sob a supervisão de um fisioterapeuta, o outro terço fazendo exercícios de relaxamento, e o último terço com o tratamento farmacológico (topiramato). Os tratamentos, tanto farmacológico como de relaxamento e programa de exercício físico duraram três meses. Os resultados mostram que o número de enxaquecas caiu em todos os três grupos.

Em conclusão, o exercício mostrou em ser igual aos métodos bem documentados de relaxamento e topiramatono (medicamento anticonvulsiante) no que diz respeito à redução da frequência de enxaqueca. Essa abordagem não farmacológica pode, portanto, ser uma opção para o tratamento profilático da enxaqueca em pacientes que não se beneficiam ou não querem medicação diária.

1- Varkey E, Cider A, Carlsson J and Linde M. A study to evaluate the feasibility of an aerobic exercise program in patients with migraine. Headache 2009; 49(4): 563–570.

2- Varkey E, Hagen K, Zwart JA and Linde M. Physical activity and headache: results from the Nord-Trondelag Health Study (HUNT). Cephalalgia 2008; 28(12): 1292–1297.

3- Varkey E., Cider A., Carlsson J., Linde M. Cephalalgia 2011; 31(14) 1428–1438.




Ricardo Arida

Possui graduação em Educação Física pela Universidade de São Paulo (1980), mestrado em Medicina (Neurologia) pela Universidade Federal de São Paulo (1995), doutorado em Medicina (Neurologia) pela Universidade Federal de São Paulo (1999) e pós-doutorado pela Universidade de Oxford-UK. Atualmente é professor adjunto da Universidade Federal de São Paulo. Tem experiência nas áreas de Neurociências e Fisiologia do Exercício Mais informações: www.ricardoarida.wordpress.com



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