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Aliados naturais contra a dor de cabeça

Redação Vya Estelar 01/01/2016 SAÚDE E BEM-ESTAR
Medicina complementar não substitui o tratamento convencional

por Alex Botsaris

A enxaqueca atinge pelo menos 16 milhões de brasileiros. Entre as sensações vivenciadas estão: dor atormentadora, que em geral se concentra em um dos lados da cabeça e que às vezes irradia até o rosto, passando por têmporas e nuca, e faz com que eles esqueçam do que há ao redor. E o que é pior, geralmente elas são enfrentadas diversas vezes no mês com crises que podem durar horas. Como no caso da engenheira A.M.W., 56 anos, que vem sofrendo de enxaqueca clássica há mais de 30 anos. Nos últimos cinco, as crises se tornaram mais freqüentes (semanais) além de aumentar a intensidade e duração que chegava a três dias.

No inicio A.M.W. aumentou o número de doses dos analgésicos, mas os efeitos colaterais causaram muito desconforto. Chegou a tomar três tipos de drogas diferentes ao mesmo tempo para interromper as crises. Mesmo assim elas acabavam interferindo na vida familiar e no trabalho. Por não encontrar solução satisfatória nas abordagens clássicas da medicina, ela resolveu buscar um novo tratamento. Buscou um médico com prática voltada para a medicina complementar, que associou acupuntura e fitoterápicos, além de fazer um ajuste na medicação convencional. O resultado foi excelente. Os episódios agora ocorrem a cada dois meses, as crises ficaram mais curtas e fáceis de debelar.

Casos como o de A.M.W. mostram que a medicina complementar pode oferecer excelentes resultados no tratamento das dores de cabeça. Acupuntura, massagem, fitoterápicos, meditação, Yoga, RPG e osteopatia são algumas das abordagens que apresentaram resultados no tratamento de dores de cabeça em diferentes estudos clínicos. A medicina complementar não substitui o tratamento convencional, mas pode apresentar bons resultados quando corretamente associada a ele. Vale lembrar que toda dor de cabeça muito forte, e que não melhora com nenhum medicamento, precisa antes passar por uma avaliação médica, antes de buscar a medicina complementar. Isso, para afastar o que chamamos de 'causas orgânicas de cefaléia', ou seja dores de cabeça secundárias a uma outra doença.

Num estudo feito pela Universidade de Munique, Alemanha, com 300 voluntários portadores de enxaqueca, 150 pacientes foram tratados com a acupuntura, 75 formaram o grupo que recebeu a aplicação de agulhas em pontos diferentes dos clássicos e outras 75 pessoas não fizeram uso de nenhum tratamento. Após três meses, os pacientes submetidos à acupuntura passaram a ter menos enxaqueca que os demais. Não se sabe ainda exatamente o motivo das agulhas beneficiarem quem sofre com essa enfermidade, já que a própria causa do problema ainda não está completamente esclarecida. Pode ser porque a acupuntura aumenta os níveis de endorfina e reduz os de substância P (um peptídeo que aumenta a percepção da dor) no cérebro, o que, por sua vez, tem efeito analgésico e antiestressante. Sabe-se também que a técnica modula e normaliza o fluxo de sangue no cérebro e isso pode ajudar na enxaqueca, por ela começar com um espasmo vascular. Vale destacar que diversos estudos, como o realizado em Munique, comprovam a eficácia das agulhas em casos de enxaqueca, cefaléia crônica diária, dor na nuca e cefaléia tensional.

Quanto aos fitoterápicos, a única planta que possui mecanismo de ação estudado é o tanaceto (Tanacetum parthenium). Ele tem uma substância chamada partenolídeo que reduz a vasodilatação (que provoca dor de cabeça) causada pelos nitratos. A planta européia ""butterbur (Petasites hybridus) também está entre as mais estudadas por possuir ação eficaz contra a enxaqueca. Outras plantas exibiram atividade nesse problema são: a melissa (Melissa officinalis), a passiflora (Passiflora edulis) e o gengibre (Zingiber officinale). Contudo mais estudos são necessários para garantir que sua ação é realmente eficiente.

É importante estabelecer medidas de prevenção e evitar estímulos que possam desencadear a dor de cabeça. O excesso de bebidas alcoólicas, bebidas com cafeína, além de alimentos como conservas, por possuírem nitratos, chocolate, entre outros, são alguns exemplos disso. O bruxismo e outros problemas que afetam a articulação da mandíbula devem ser prevenidos, já que essa é uma fonte freqüente de dor e tensão. É aconselhável buscar maneiras de relaxar depois de trabalhar no computador, por exemplo, porque a tensão na musculatura do pescoço também pode funcionar como um gatilho de desencadeamento de uma crise de dor de cabeça. Aconselho que as pessoas usufruam de massagens com freqüência para conseguir um corpo relaxado.

No livro "O Complexo de Atlas - e outras síndromes do estresse contemporâneo" (Ed. Objetiva), também falo da cefaléia tensional. Entre as diversas abordagens, cito uma pesquisa recente realizada pela Universidade de Amsterdã que revela que em populações do Sudeste da Ásia 26,5% das pessoas se queixam desse problema. Enquanto que na década de 1970, as estatísticas sobre a freqüência de dores de cabeça apontavam entre 11% e 18% dos indivíduos, sugerindo que houve um aumento muito significativo. Esse aumento provavelmente se deve ao estresse. Portanto, para minimizar as dores de cabeça é preciso relaxar, manter uma alimentação saudável e buscar um tratamento que recupere o equilíbrio orgânico e interrompa o estresse.

Atenção!
Esse texto e esta coluna não substituem uma consulta ou acompanhamento de um médico e não se caracterizam como sendo um atendimento




Redação Vya Estelar

Ângelo Medina é editor-chefe do portal Vya Estelar. É jornalista e ghost writer. Com 30 anos de experiência, iniciou sua carreira na cobertura das eleições à Prefeitura de São Paulo em 1988 (Jornal da Cultura). Trabalhou no Caderno 2 - O Estado de São Paulo, Revista Quatro Rodas (Abril). Colaborou em diversas publicações e foi assessor de imprensa no setor público e privado. Concebeu o site Vya Estelar em 1999. É formado em Comunicação Social pela UFJF - Universidade Federal de Juiz de Fora.



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