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Pagar com a mesma moeda alivia dor da traição?

Anette Lewin 01/01/2016 PSICOLOGIA
Quando você soube da traição, ela já fazia parte do passado

por Anette Lewin

"Sou casado há quinze anos e descobri que venho sendo traído há mais de dois anos. Conversamos, ela diz que se arrepende muito. O amante é o primeiro namorado. Estou tentando perdoá-la, porém não consigo. Fiz uma proposta: Fico com ela e quero liberdade por dois anos também inclusive para "aventuras". Estou certo? O que devo fazer?"

Resposta: Bem, sua proposta, no fundo é a colocação quase bíblica "olho por olho, dente por dente"

Antes de saber se a relação de vocês sustenta essa proposta, seria importante entender se você realmente precisa e quer essa liberdade para aventuras, ou a sugere porque sua esposa teve a aventura dela. Caso fique claro para você que poder ter aventuras faz parte da sua lista de desejos e não apenas da dela, é preciso avaliar se ter uma aventura escondida e ter uma aventura previamente autorizada se equivalem em termos da expectativa que provocam. Explico: aventuras extraconjugais sempre provocarão desconforto nos parceiros.

Agora, o que os olhos não veem, o coração não sente. Quando você soube da traição, ela já fazia parte do passado. Ou, pelo menos, assim o caso lhe foi apresentado.Mas será que, para sua esposa, conviver sabendo que a qualquer momento você pode, por um "direito adquirido" ter uma aventura é suportável por dois anos? E, quem garante que o emocional dela, caso ela se sinta mal como "espectadora da tragédia", não reagirá traindo novamente para se sentir melhor? Afinal, quem já traiu uma vez, trai duas trai três...

Se você está buscando um alívio para a dor da traição o melhor a fazer é avaliar se você ainda acredita no relacionamento como um todo e se ainda quer conviver com sua mulher. Se, pesados os prós e os contras chegar à conclusão que vale o risco, o melhor é deixar o relacionamento caminhar por ele mesmo ao invés de colocar novas regras que, como foi dito, são, no mínimo, questionáveis.

Se quer mudar comportamentos, atitudes, afetos ou planos, a tentativa é válida. Mas tente fazer isso aos poucos, experimentando novas formas de agir, novos papos ou novas formas de demonstrar carinho ou mesmo irritação.

Você já percebeu que roteirizar uma relação amorosa é difícil. Nesse sentido, escrever um novo roteiro para a mesma relação não parece que seja uma boa solução. Melhor agir espontaneamente tentando usar a boa vontade como linha mestra. E focar o futuro ao invés do passado.

Vya Estelar Responde

Vya Estelar quer colocar você, querido leitor, mais perto ainda de nós. Esse profissional irá responder dúvidas enviadas pelos internautas sobre um determinado tema. A psicóloga Anette Lewin responderá sobre relacionamento amoroso, conflitos na vida a dois e conjugal. Esta resposta possui dois formatos: 1º formato: responder as perguntas enviadas pelos leitores. 2º) formato: de A a Z, explicar através de uma palavra em específico (verbete) o significado do que sentimos ao amar. Esta palavra será extraída de um e-mail enviado pelo leitor a esta coluna. Os e-mails serão selecionados e editados de acordo com critério editorial do Vya Estelar, já que não será possível responder a todos. Seu nome e e-mail serão preservados.

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Anette Lewin

É psicóloga graduada pela PUC/SP. É psicoterapeuta de adultos e adolescentes em consultório particular desde 1975 até a presente data. É coach em saúde mental.



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