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Supercurrículo assusta empregador?

Roberto Santos 01/01/2016 COMPORTAMENTO
CV deve ser um resumo, um 'folder' publicitário

por Roberto Santos

"Tenho 41 anos e 20 de carreira em multinacionais. Por erros de escolha nesta carreira estou desempregado no momento e com muitas dificuldades em me empregar. Tenho experiências internacionais, falo inglês e espanhol, tenho pós-graduação e mais de 600 horas em cursos extracurriculares. Será que isto assusta os empregadores que recebem meu currículo ou estou passando por uma fase ruim?"

A parte de sua pergunta sobre a hipótese de seu currículo assustar os empregadores é muito interessante e válida; não pelo excesso de competências, cursos, experiências, mas pelo desencontro das peças de um quebra-cabeças.

Na realidade, quanto mais complexa é uma peça mais complicado é encaixá-la, não? Quando se busca um operador de empilhadeira para uma empresa, a pessoa encarregada pela seleção sabe exatamente o que procura e vice-versa e para decidir entre alguns candidatos coloca-os num teste prático para ver se não capotam o veículo ou derrubam o estoque de cerâmica, e pronto, toma sua decisão.

Já em seu caso, posso assumir que teve cargos especializados e assumiu gerências complexas nas multinacionais pelas quais passou. Para aparecer uma oportunidade que compatibilize as demandas do cargo da empresa com seu perfil realmente toma mais tempo.

Quanto às sugestões solicitadas sobre empregabilidade, sugiro que você reveja seu CV para delimitá-lo em, no máximo, duas páginas e evite mencionar "600 horas de cursos". Em sua fase de carreira, você deve enfatizar as maiores realizações, a pós-graduação e o domínio de idiomas, além de pouquíssimos cursos de alto reconhecimento de mercado, como o PMI -- Gerenciamento de Projetos ou uma certificação de "Black-Belt" da metodologia "six-sigma", por exemplo.

Lembre-se, o CV deve ser um resumo, um "folder" publicitário que desperte no selecionador a necessidade de conhecê-lo numa entrevista.

A segunda sugestão é referente ao "networking". É comprovado por pesquisas de empresas de "outplacement" que a maioria das recolocações se dá por intermédio da rede de relacionamentos que você formou durante sua vida. Em processos de recolocação, uma etapa importante é ajudar a pessoa assessorada a montar sua "árvore de relacionamentos", desde a família, passando pelos colegas de faculdade (ou pós-graduação) e pelas empresas em que passou -- chefes, colegas e subordinados.

Muitas pessoas se inibem de fazê-lo, pois julgam que não serão bem recebidos. Porém, muitas vezes temos mais surpresas agradáveis do que o contrário. Aqui, vale a regra da quantidade pode gerar qualidade, ou seja, você poderá fazer dez contatos e um deles render uma boa oportunidade de entrevista. Esta será muito mais promissora do que o envio de seu currículo pelo correio ou pela internet. Finalmente, valorize as realizações que conquistou ao longo de sua vida, elas não devem assustar ninguém, apenas serem fonte de reconhecimento e orgulho.




Roberto Santos

Profissional de Recursos Humanos, com mais de 40 anos de atuação no mercado, Roberto teve diversas posições como profissional e executivo de RH em multinacionais de grande porte. É sócio-diretor da Ateliê RH, consultoria com mais de 14 anos de atuação no mercado, e distribuidor Hogan no Brasil. Mais informações: www.atelie-rh.com.br



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