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Controle emocional é construído com ações

Renato Miranda 01/01/2016 COMPORTAMENTO
Controle emocional só é adquirido através de longa jornada

por Renato Miranda

Ao observarmos competições esportivas, sejam amadoras ou profissionais, é fácil perceber a influência das emoções no comportamento e desempenho do atleta. Ao acompanharmos os vários estudos sobre emoção no esporte - e o que atletas fazem (comportamento) nas competições e falam sobre a importância das emoções e seus desempenhos - são explícitos os motivos de os profissionais envolvidos com o treinamento esportivo investirem suas potencialidades profissionais neste campo de ação e vivências.

Observar o comportamento de atletas de todas as idades, frente às tarefas a serem executadas e suas reações emocionais, infere que o treinamento emocional se inicie desde a tenra idade, tal como os demais elementos do treinamento como a preparação técnica e física.

Isto porque as experiências que nós vivenciamos são assimiladas sistematicamente pela nossa estrutura física e psicológica. Ou seja, uma experiência física é acompanhada, de maneira simultânea, por uma experiência psíquica. Da mesma maneira que uma experiência psíquica é acompanhada, ao mesmo tempo, por uma experiência física.

É por isso que após um esforço físico eficaz o atleta além dos benefícios de ordem fisiológica se sente feliz, autoconfiante, apto para tarefas que exigem um bom nível concentração entre outras características. Por outro lado, quando de uma experiência emocional positiva como alegria e felicidade, o atleta sente seus músculos mais vigorosos, respiração ótima, disposição física entre outras.

Portanto, é fundamental como nos diz Daniel Goleman (estudioso norte-americano sobre o tema) observarmos que o amadurecimento físico dos jovens é também acompanhado por um amadurecimento emocional. É, portanto, na puberdade que o jovem atleta tem um dos períodos mais abrangentes de adaptação do cérebro, como uma verdadeira "poda" em todas as partes do cérebro. Na puberdade, os lobos frontais; sede do autocontrole emocional, compreensão e resposta hábil, continuam a desenvolver-se até o fim da adolescência, entre os dezesseis e dezoito anos.

Assim sendo, é oportuno investir no treinamento emocional dos jovens para prepará-los a serem também fortes emocionalmente frente os desafios esportivos e suas várias possibilidades de vivências: alegria, tristeza, sucesso, frustração, harmonia emocional (força nervosa frente os desafios) e outros fenômenos.

Observe como a concentração, motivação, controle da ansiedade e estresse, por exemplo, são fundamentais para o desempenho e ao mesmo tempo estão intimamente ligadas com a emoção e ao mesmo tempo, como a emoção "funciona" como pré-requisito para estas habilidades psicológicas.

Ao investirmos durante o período do amadurecimento emocional dos jovens atletas estamos a providenciar uma base sólida para altos desempenhos muitas vezes exigidos em nível internacional como jogos olímpicos e campeonatos mundiais. Tal sugestão se baseia em função de que hábitos de controle emocional repetidos na infância e na adolescência, moldam tendência emocionais de toda a vida.

Gosto da afirmação de Goleman sobre esse assunto quando diz que os hábitos adquiridos nesse período tornam-se fixos na fiação simpática básica da arquitetura neural, e são mais difíceis de mudar mais tarde na vida. Com o tempo, o reaprendizado emocional sistemático (psicoterapia, por exemplo), talvez seja um dos poucos caminhos na tentativa de mudar padrões emocionais e moldar o cérebro.

Um dos caminhos para que o esporte seja um instrumento prático do treinamento emocional é utilizar a motivação advinda das tarefas esportivas como fator de organização do comportamento. Em outras palavras quando uma tarefa tem uma exigência geral (física, técnica e tático-cognitiva) compatível com as habilidades do atleta e com uma força emocional também equacionada (moderada), cria-se então uma tensão que motivará e facilitará o desempenho.

Esse pensar muito fomentado por Mihaly Csikszentmihalyi, se resume em uma força de motivo e dificuldades adequadas que demonstram uma perfeita funcionalidade simultânea (corpo-mente e vice-versa). Em consequência, o atleta atua com um esforço bem motivado e produtivo nas mais diversas situações. É como, nas palavras de Csikszentmihalyi, o atleta estivesse fluindo. Portanto, é aconselhável entender que o dito controle emocional no esporte é elaborado através de uma longa jornada, construída não apenas com palavras, mas, sobretudo por ações. Não é por menos que, como afirma Goleman, as emoções, em essência, são impulsos para agir, planos instantâneos para lidar com a vida que a evolução nos infundiu!




Renato Miranda

Professor da Faculdade de Educação Física da UFJF; Mestre e doutor em Psicologia do Esporte (UGF); Especialista em didática e psicologia do esporte na Alemanha (Escola Superior de Esporte Alemã - Colônia) e Rússia (Instituto de Cultura Física de Moscou); Consultor de atletas em psicofisiologia (concentração, estresse. motivação e flow-feeling).



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