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Por que o uso do computador pode fazer muito bem ao idoso

Patricia Gebrim 01/01/2016 AUTOCONHECIMENTO
Computador pode tornar a vida do idoso mais ativa, saudável e divertida

por Patricia Gebrim

Como tudo o que existe, o uso da internet manifesta tanto aspectos sombrios quanto luminosos. Muito se fala sobre o lado negativo, os sites de pedofilia, os hackers que usam seus conhecimentos para roubar usuários, a frieza das relações que se estabelecem só por intermédio do computador, diminuindo as trocas calorosas e vivenciais entre as pessoas; a obesidade das crianças que passam horas em frente ao computador, deixando de brincar e correr como seria tão saudável... e por aí vai.

Sem desconsiderar esses aspectos, hoje quero falar sobre um aspecto benéfico do uso da internet e do seu impacto positivo na vida de pessoas idosas.

Minha mãe nem é tão idosa. Do alto de seus 65 anos, morando a 3000 kms de São Paulo, nas quenturas do Rio Grande do Norte, sempre teve um ódio visceral de computadores. Ela agia como se aquelas máquinas fossem criar braços malignos e estrangulá-la enquanto dormia. Bastava que alguém começasse a falar no assunto para que ela ficasse terrivelmente irritada e sumisse de perto da conversa o mais rapidamente possível.

Em uma de minhas visitas a ela, no entanto, me armei de coragem e resolvi enfrentar a fera. Decidi que a ensinaria a domar a máquina monstruosa, e não desistiria de meu desafio, não importa o que custasse. Fazê-la sentar-se à frente do micro foi quase como colocar um coelhinho assustado à frente de um leão faminto. Quase tive que amarrá-la na cadeira e sei que ela só concordou porque não queria me desapontar.

No fundo era medo. Medo de quebrar a máquina, medo de se sentir incapaz de penetrar naquele mundo sem fim, medo se ser sugada pela tela e cair em um tipo de buraco negro de onde não conseguiria voltar nunca mais ao mundo cotidiano. E, se pensarmos bem, é mesmo assustador. São infinitas e inimagináveis as possibilidades de conexões escondidas por trás daquela telinha iluminada.

Bem, foram pacientes lições diárias, até que aos poucos ela foi se acalmando. Comprou um caderninho onde anotava cuidadosamente cada passo de sua interação com o monstro do teclado. Aos poucos foi experimentando explorar aquele novo mundo, até que acabou por ganhar seu monstro particular, um bicho daqueles todinho só para ela! (Hoje ela diz que foi o melhor presente de sua vida).

Separadas pela distância, começamos a nos comunicar por e-mails, imaginem só... agora ela tinha um e-mail ! Com o tempo ela aprendeu a fazer pesquisas nos sites de busca, e surgiram novas e deliciosas receitas de que todos desfrutaram... mas ela não parou por aí. Na verdade, o monstro deixou de ser o computador... ELA SE TORNOU O MONSTRO DA INTERNET!

Entrou no facebook, fez amigos pelo mundo todo, descobriu recursos que nem eu sabia existir e, de repente lá estava minha mãe falando com sua amiga que mora na Suiça, e com um monte de gente, interagindo, brincando nos jogos... eu mal podia acreditar. Susto mesmo eu levei quando certa vez acabou a luz no bairro onde ela mora e ela foi a uma... lan house!!! MINHA MÃE NUMA LAN HOUSE ???

Bem, sei que para muitos isso pode ser usual, nada extraordinário. Mas existem muitas pessoas que, após certa idade, passam a ter uma vida extremamente limitada, muitas vezes solitários, carentes de atenção e afeto. Nesses casos o computador, com suas infinitas possibilidades, pode tornar a vida dessas pessoas muito mais ativa, divertida e saudável, acreditem. Recentemente vi uma reportagem que afirmava que a utilização de computadores por idosos diminuia significativamente as chances de desenvolverem senilidade precoce, pois ativava várias áreas do cérebro e permitia que novas conexões entre neurônios fossem criadas.

Enfim, que este artigo lhes sirva de estímulo.

Aos filhos e netos... que se munam de carinho e paciência, presenteiem seus pais e avós com essa possibilidade infinita de comunicação e interação humana. Ensinem àqueles que tanto já lhes ensinaram sobre a vida. Acreditem na capacidade de aprendizado das pessoas mais velhas, não os subestimem!

E aos pais e avós que, como acontecia com minha mãe, acreditam-se incapazes de navegar na internet... acreditem, não é tão assustador como parece. Não se intimidem. Arrisquem e não tenham medo de continuar expandindo a vida. Nunca é tarde para aprender algo novo. O novo traz vida nova, comprovem por si mesmos...

Desejo sucesso a todos... e se encontrarem minha mãe no facebook, enviem-lhe um abraço meu!




Patricia Gebrim

É Psicóloga Clínica, atua numa abordagem transpessoal. Seu trabalho é direcionado a favorecer o autoconhecimento e a transformação das crenças limitadoras que nos mantêm aprisionados a padrões repetitivos de escolhas. É escritora, publicou 'Gente que mora dentro da gente' e o best-seller 'Palavra de Criança' pela editora Pensamento



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