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Para muitos a responsabilidade pela própria vida é assustadora

Rosemeire Zago 01/01/2016 PSICOLOGIA
Ser nós mesmos é tomar decisões

por Rosemeire Zago

Nascemos dependentes. Enquanto crianças dependemos dos pais para quase tudo, mas por que alguns adultos mantêm a dependência em algum aspecto de sua vida?

Se analisar sua vida em todas as áreas será que encontrará algum tipo de dependência? A dependência seja física e/ou emocional pode trazer muitos danos tanto para o corpo, como para a mente e nem sempre nos damos conta da extensão de suas consequências.

Por que em algumas situações nos sentimos tão frágeis e carentes que não conseguimos encontrar com facilidade nossa própria maneira de viver? É imprescindível compreendermos e termos consciência de nosso valor pessoal para assumirmos a responsabilidade pelo próprio caminho. Sim, para muitos a responsabilidade pela própria vida é assustadora.

Muitas pessoas acreditam que são responsáveis porque trabalham, acordam cedo, como a maioria dos mortais, mas se esquecem que a vida não se resume a isso. Quem cuida de suas roupas? E de sua alimentação ao chegar em casa? Quem mantém sua casa limpa e administra tudo o que deve ser feito? E o supermercado, quem compra seu sabonete, o papel higiênico, o sabão em pó para lavar suas roupas? Quem paga a conta de luz, água?

Algumas pessoas pensam que o fato de trabalharem e terem alguém para limpar a casa é o suficiente. Esquecem-se de quantas coisas é preciso para manter uma casa organizada e uma vida independente. Parece que acreditam que a roupa fica lavada e passada e vai até o guarda-roupa sozinha. Alguns ainda respondem que quem lava é a máquina de lavar, sim, mas quem coloca essa roupa na máquina, quem foi comprar o sabão para lavá-la? Quem a pendurou no varal ou colocou na secadora para que secasse? Pensam que a cama toda noite se arruma por si só.

Alguns acreditam que pai, mãe, esposa, ou quem quer que seja, tem a obrigação de fazer isso. Temos sim, cada um a obrigação de cuidar daquilo que nos diz respeito e ponto. Se alguém faz algo para nós ou se fazemos para alguém, é feito como um gesto de carinho e o mínimo que se espera é que ao menos isso seja reconhecido. Quando tudo se encontra arrumado, organizado, é fácil acreditar que tudo foi feito num passe de mágica, ignorando quem fez e o tempo dedicado. Claro que tudo isso depende muito das necessidades de cada um e da maneira como foi educado. Quem nunca precisou fazer nada por si mesmo, encontrando tudo pronto, por pais que queriam acima de tudo suprir todas suas necessidades, com certeza encontrarão muita dificuldade em tornar-se independente.

Não me refiro também àquelas pessoas que fazem de tudo para os outros, as eternas boazinhas, sempre dispostas a ajudarem, mas que na verdade, também são dependentes, da aprovação e reconhecimento. Fazem de tudo para agradar, sempre com o intuito de ajudar alguém. O que não percebem é que estão presas num círculo vicioso. Desejam conquistar amigos, a família, os filhos, o chefe, os colegas de trabalho, o companheiro (a), para que assim possam acreditar em seu próprio valor enquanto pessoa, pois do contrário se sentem inseguras. Por que não simplesmente ser, sem ficar tão preso ao ter?

Ser nós mesmos é tomar decisões, ainda que possamos correr riscos, mas quem disse que a vida é um eterno acerto? Tomar decisões não para agradar aos outros, mas porque estamos usando, consciente e responsavelmente, nossa capacidade de ser, sentir, pensar e agir. Para sermos nós mesmos, é preciso eliminar a dependência que nos impede de crescermos, sem o medo de ficar só.

Quantas pessoas não mantêm relacionamentos afetivos, ainda que destrutivos? Ou ainda, usam roupas de grifes não por que se sintam mais confortáveis, mas para obterem aprovação das outras pessoas? Não nos deixar influenciar pelo consumismo, pelas ideias alheias, não significa abandonar completamente as pessoas, mas somente a dependência, muitas vezes doentia, dessas mesmas pessoas. Por que não ter a coragem de romper com as amarras internas e externas que impedem a conquista da liberdade?

Essa liberdade exige esforço, coragem e ousadia sem nos permitirmos mais permanecer em situações ou relações que apenas nos manipulam e nos fazem sofrer. Por estarmos tão acostumados a voltarmos nossos olhos para fora, pode ser difícil olharmos para dentro de nós e percebermos a riqueza de nosso mundo interior. A realização interior tão almejada está relacionada com o conhecimento de nós mesmos, e dificilmente é possível conseguir olhar para dentro enquanto houver a dependência do externo. E a pior dependência ainda é a busca pelo reconhecimento e aprovação, seja de quem for.

Todo ser humano precisa de reconhecimento pelo que faz, mas há uma diferença enorme entre querer esse reconhecimento de uma maneira sadia e depender do reconhecimento exterior por sentir-se incapaz de reconhecer por si mesmo. Não lhe compete mudar o mundo, mas com certeza poderá mudar o que quiser dentro de si mesmo e de sua própria vida.

10 passos para abandonar a dependência

Para abandonar a dependência é necessário identificar em que áreas de sua vida ela se faz presente. Isso requer alguns minutos de reflexão:

1º) Observe-se

Perceba quantas vezes não está fazendo algo com o intuito de receber aprovação de alguém. Como reage quando faz algo e não recebe o reconhecimento de ninguém?

2º) Conscientize-se do quanto pode estar acomodado

Isso em uma determinada situação apenas por conveniência, acreditando que o outro tem a obrigação de fazer algo por você. Procure fazer alguma coisa que geralmente costuma pedir a outra pessoa que faça por você. Seja ir ao banco pagar uma conta, lavar seu carro, arrumar sua cama, lavar ou passar suas roupas, escolher um presente para alguém, entre outras coisas.

3º) Assuma responsabilidades

Reveja as situações que hoje são assumidas por outra pessoa, mas que dizem respeito à sua vida. Está procurando emprego? Por que esperar seu irmão ou amigo levar seu currículo para uma empresa? Sua relação afetiva está desgastada? Por que esperar que o outro perceba e faça algo? Por que você não faz sua parte e propõe uma conversa franca? Seu trabalho tem sido a causa de sua insatisfação? Por que não revê seus objetivos ou procura algo que o satisfaça?

4º) Evite adiar projetos

Ou qualquer outra coisa que deseje fazer, mas que está sempre deixando para amanhã e esse amanhã parece nunca chegar, porque na verdade, não se considera capaz.

5º) Quando disser "eu te amo", pense se o que está sentindo é: "eu preciso de você".

6º) Acredite que você é capaz

Por mais que o fizeram acreditar no contrário, de cuidar de sua vida e conduzi-la da maneira que acredita ser o correto. Ainda que isso possa trazer a reprovação de algumas pessoas.

7º) Reconheça cada passo conquistado

Olhe para trás e veja quantas coisas conquistou. Valorize-as!

8º) Olhe para dentro de você

Não permita que ninguém, inclusive você mesmo, o impeça de enxergar a riqueza de seu mundo interior!

9º) Busque o autoconhecimento

Procure entender como você pensa, sente, percebe e reage à vida ao seu redor.

10º) Cultive sua autoestima

Aprove-se, reconheça, ame-se!




Rosemeire Zago

Psicóloga com abordagem junguiana com especialização em psicossomática. Desenvolve uma abordagem voltada para o autoconhecimento e criança interior.



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