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Atividade física: uma das maneiras mais fáceis de proteger o cérebro?

Ricardo Arida 01/01/2016 SAÚDE E BEM-ESTAR

por Ricardo Arida

Qual é a pílula ou droga que pode diminuir o colesterol ruim (LDL), aumentar o colesterol bom (HDL), melhorar a sensitividade à insulina, dimunuir a porcentagem de gordura corporal, melhorar o humor e o sono, diminuir o estresse e melhorar a capacidade mental, geralmente sem efeitos colaterais? Nenhum!

Então, você pode dar a alguém uma medicação para diminuir os lipídeos e então tratar o desconforto ou dor muscular, depois dar um antidepressivo, mas cuidar da perda de peso, e não esquecer de tomar o remédio para dormir.

Alternativamente, você poderia ter um estilo de vida fisicamente ativo. Pode-se pensar que poucos indivíduos sedentários irão aderir ou iniciar um programa de exercício físico. Entretanto, existem evidências mostrando que não precisamos nos focar somente no exercício. Simplesmente, atividades do dia-a-dia como caminhar pode fornecer efeitos benéficos similares aos observados em programas regulares de exercício físico, como os citados no início deste texto.

Nós podemos encorajar nossos pacientes a se tornarem mais ativos fisicamente, e tratar aqueles que apresentam lesões que limitam a atividade física. Existe uma forte associação entre obesidade e lesão músculo-esquelética. Ainda, o aumento do dispêndio de energia pode ser visto não somente para a prevenção das doenças cardiovasculares, mas também como meio de prevenir doenças músculo-esqueléticas.

Estudo

Estudo realizado recentemente por Hamer e Chida (2008)*, mostrou através de uma revisão que investiga a caminhada como prevenção de doença cardiovascular, uma relação inversa entre caminhada, doença cardiovascular e mortalidade. Outro estudo mostrou que a distância da caminhada estava inversamente relacionada com o índice de massa corporal e circunferência da cintura.

Para resolver o problema de obesidade na população adulta, a prevenção deve começar na população pediátrica. Crianças obesas apresentam grande tendência para serem adultos obesos (Whitlock e col. 2005)**. Crianças gastam a maior parte do tempo das suas horas de caminhadas na escola, e dependendo das condições de moradia, podem ter mais opções para atividades físicas na escola do que em casa (Floriani e col., 2008)***.

Neste sentido, não precisamos ser tri-atletas para usufruir dos benefícios da atividade física; uma caminhada diária pode resolver o problema.

*Hamer M, Chida Y. Walking and primary prevention: a meta-analysis of prospective cohort studies. Br J Sports Med 2008;42:238–43.

**Whitlock EP, Williams SB, Gold R, Smith PR, Shipman SA. Screening and interventions for childhood overweight: a summary of evidence for the US Preventive Services Task Force. Pediatrics 2005;116:e125–e144.

***Floriani V, Kennedy C. Promotion of physical activity in children. Curr Opin Pediatr 2008;20:90–5.




Ricardo Arida

Possui graduação em Educação Física pela Universidade de São Paulo (1980), mestrado em Medicina (Neurologia) pela Universidade Federal de São Paulo (1995), doutorado em Medicina (Neurologia) pela Universidade Federal de São Paulo (1999) e pós-doutorado pela Universidade de Oxford-UK. Atualmente é professor adjunto da Universidade Federal de São Paulo. Tem experiência nas áreas de Neurociências e Fisiologia do Exercício Mais informações: www.ricardoarida.wordpress.com



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