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Consumo de álcool na adolescência pode prejudicar desenvolvimento cognitivo

Danilo Baltieri 01/01/2016 SAÚDE E BEM-ESTAR

por Danilo Baltieri

No texto anterior (veja aqui), expliquei por que os jovens começam a beber cada vez mais cedo e por que as meninas têm as mesmas motivações que os meninos para beber.

Agora vou falar principalmente sobre como o álcool afeta a saúde mental do jovem.

Seja qual for o fator (ou fatores) que impulsionam o jovem a beber, as consequências podem ser extremamente negativas. Embora as consequências à saúde física entre jovens não pareçam ser tão evidentes quanto entre adultos; estudos mostram que jovens que bebem frequentemente e pesadamente estão em risco para várias complicações físicas e psiquiátricas tais como: efeitos sobre a memória de longa duração, funcionamento do fígado e regulação hormonal. Esses fatores têm sido destacados na literatura científica.

Em termos gerais, os adolescentes, em comparação aos adultos, são mais sensíveis aos efeitos neurotóxicos do uso pesado de álcool e também à sua ação de inibição da neurogênese (formação de substrato neuronal).

O cérebro do adolescente pode sofrer mudanças duradouras em decorrência do uso de álcool e, consequentemente, provocar mudanças de comportamento.

Estudos neurocognitivos (utilizando técnicas de neuroimagem) - que compararam a resposta cerebral de jovens para atividades da memória operacional - mostraram que adolescentes com transtornos relacionados ao uso de álcool apresentam maior atividade em certas regiões do cérebro do que os adolescentes sem essa condição para a realização de tarefa similar.

Esses dados sugerem que nos estágios iniciais dos transtornos relacionados ao uso de álcool, o cérebro pode compensar os danos causados por essa substância por meio do “recrutamento” de outras fontes neurais. Com o passar dos anos e a manutenção do padrão pesado de uso de álcool, nota-se que os danos tendem a aumentar, assim como o desempenho neuropsicológico tende a piorar e o cérebro perde sua capacidade de compensar as perdas.

Esse impacto danoso do álcool sob o cérebro do jovem parece ser mais intenso entre mulheres, entre filhos de pais alcoolistas e entre aqueles jovens que já fazem consumo de outras drogas (cigarro e maconha por exemplo).

Vale salientar também a ocorrência de “apagões”, incidentes provocados pelo uso de álcool e caracterizados pela impossibilidade de evocar lembranças de um evento. O uso de álcool na adolescência, fase marcada pelo aprendizado e pelo amadurecimento, pode prejudicar o desenvolvimento cognitivo do jovem. Esse prejuízo, segundo a literatura científica, parece ser mais intenso nos adolescentes. Ademais, os estudos sugerem que esses jovens que manifestaram “apagões” de memória tendem a se envolver em incidentes como: brigas, vandalismo, discussões e prática de sexo inseguro.

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Danilo Baltieri

Médico psiquiatra. Mestre e doutor em Medicina pelo Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Atualmente é coordenador geral do Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas do Instituto de Psiquiatria da FMUSP (GREA-IPQ-HCFMUSP).Tem experiência em Psiquiatria Geral, com ênfase nas áreas de Dependências Químicas.



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