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Relacionamento: por que enjoo das pessoas?

Anette Lewin 07/06/2019 PSICOLOGIA
Relacionamento: por que enjoo das pessoas?
Fonte: imagem Pixabay
Para um relacionamento evoluir e dar certo é preciso olhar para além das próprias necessidades

E-mail enviado por uma leitora:

“Tenho problemas de manter relacionamento porque enjoo das pessoas ou as afasto  com minha pressão por algo sério. Já tentei inúmeras terapias mas nada me ajudou nesse ponto. Gostaria de saber se a terapia de vocês pode me ajudar?”

Resposta: Você menciona que se enjoa fácil de pessoas num relacionamento amoroso e se enjoou também de inúmeros terapeutas, não é?   Fica claro que aprofundar relacionamentos não é, definitivamente, seu forte...

Expectativas mágicas

Você pergunta se a “nossa terapia” pode ajudar. Bem, podemos ajudar você a refletir sobre os motivos que a levam a criar expectativas mágicas sobre seus relacionamentos e a fazem imaginar que exista alguém que seja tão maravilhoso que consiga mobilizá-la para sempre... sem o seu esforço e participação; alguém de quem você não se enjoe após um breve relacionamento; um terapeuta que resolva seu problema num passe de mágica.

Será que é assim que as coisas funcionam? O outro tem que ser perfeito para agradar você. Certo . E o seu papel nessa história toda? Talvez esse seja um ponto de reflexão interessante.      

Relacionamentos, quaisquer que sejam eles, amorosos, terapêuticos etc dependem de todos os envolvidos; para que se aprofundem, é necessário que os envolvidos superem as frustrações que sempre surgirão em algum momento e enfrentem o tédio que certamente dará o ar da graça de vez em quando e se esforcem para passar à etapa seguinte. A desistência frente a essas situações sinaliza que os envolvidos não entenderam direito o que é relacionar-se ou não estão maduros para isso. Talvez esse seja seu caso.

Além do próprio umbigo

Você quer se relacionar, mas ainda não está pronta para uma parceria e acaba olhando somente para as suas necessidades e se esquecendo de tentar descobrir e, quem sabe, se apaixonar por uma pessoa diferente de você. Uma pessoa com a qual sentirá vontade de construir alguma coisa e não apenas alguém que a entretenha. Uma relação dinâmica e não estática.

Certamente, nos dias em que “mudar de canal” a cada minuto é a regra básica do comportamento da maioria das pessoas, estabelecer um vínculo amoroso mais profundo não é tarefa fácil. Largar o relacionamento frente à primeira frustração, correr atrás de outro parece muito mais fácil, não é? Afinal, existem tantos sites de relacionamento, tantas pessoas disponíveis, para que “ficar aguentando” a “má vontade” de alguém tão “egoista”? Sim, essa é a fala mais ouvida nos consultórios de psicologia. Mas relacionamento não é viver nas nuvens, sentir-se no paraíso o tempo todo.

Frustrar-se é normal  

Relacionamento leva em conta as necessidades de pelo menos duas pessoas, portanto, alguma frustração sempre haverá. E, pasme! Existe uma grande chance de ser superada ou resolvida. Desde que haja boa vontade e esforço para um diálogo e para concessões que se fizerem necessárias.

Por outro lado, hoje existe uma maior liberdade na escolha do modo de viver de cada um. Quem entende que viver sozinho e relacionar-se apenas quando está a fim é seu modelo ideal, deve assumir essa postura conscientemente e evitar concluir que está só porque não encontrou o par ideal. Nem todo mundo entende ou gosta de abrir mão de suas necessidades em prol do outro. Pode ser que este seja seu caso. E, se for, não se sinta frustrada ou neurótica. Você está apenas fazendo uma escolha. Assuma-a.

Pressão

Quanto à sua característica de pressionar as pessoas por algo sério e perdê-las em função dessa pressão, pense na possibilidade de não estar conseguindo convencer as pessoas com quem se relaciona que é com elas que você quer estabelecer um vinculo real. Afinal, quem vai acreditar que depois de alguns encontros você saiba o que quer com a pessoa e a pessoa saiba o que quer com você? Afinal, você nem a conhece... muito menos ela conhece você! Cobrar intenções sérias sem cumplicidade não funciona. E cumplicidade leva tempo e empenho par ser conseguida.

Tente levar em conta os pontos aqui levantados e avalie se está pronta, ou se quer mesmo se relacionar mais profundamente com alguém. A melhor ajuda que você pode obter para enfrentar a questão é o autoconhecimento.

Tentamos dar uma leve pincelada em pontos de reflexão, mas é você quem deve complementar essas questões com seus próprios sentimentos e seus próprios desejos. Se achar muito difícil... procure um novo terapeuta, volte a algum dos que você já procurou, ou assuma que você tem direito de se enjoar e mudar de parceria quantas vezes quiser; que também pode se trabalhar mais a fundo para conseguir superar etapas de um relacionamento mais profundo. Sem culpas, sem certo ou errado, apenas com “eu escolhi”.

Atenção!
Este texto não substitui uma consulta ou acompanhamento de um psicólogo e não se caracteriza como sendo um atendimento.

Vya Estelar Responde

Vya Estelar quer colocar você, querido leitor, mais perto ainda de nós. Esse profissional irá responder dúvidas enviadas pelos internautas sobre um determinado tema. A psicóloga Anette Lewin responderá sobre relacionamento amoroso, conflitos na vida a dois e conjugal. Esta resposta possui dois formatos: 1º formato: responder as perguntas enviadas pelos leitores. 2º) formato: de A a Z, explicar através de uma palavra em específico (verbete) o significado do que sentimos ao amar. Esta palavra será extraída de um e-mail enviado pelo leitor a esta coluna. Os e-mails serão selecionados e editados de acordo com critério editorial do Vya Estelar, já que não será possível responder a todos. Seu nome e e-mail serão preservados.

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    relacionamento amoroso

Anette Lewin

É psicóloga graduada pela PUC/SP. É psicoterapeuta de adultos e adolescentes em consultório particular desde 1975 até a presente data. É coach em saúde mental.



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