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Momo: o que está por trás da polêmica boneca?

Edson Toledo 05/04/2019 PSICOLOGIA
Momo: o que está por trás da polêmica boneca?
Fonte: Google Imagens
Armadilha para capturar dados? Fake news? Riscos no Youtube para as crianças?

Por Edson Toledo

A volta da Momo em 2019 trouxe junto uma polêmica que envolve o YouTube, Youtube Kids e o jogo online Fortnite. Só para esclarecer, o que chamamos de Momo é segundo o site Know your Meme (que rastreia a origem de memes*), uma escultura (ou boneca) do artista japonês Keisuke Aiso (foto acima com sua criatura) que foi exposta na Galeria Vanilla em Tókio em 2016.

Pois bem, o fato é que a antropoformofica escultura mencionada, passou a aparecer em publicações de Instagram e ganhou espaço em fórum de internet fora do seu contexto original.

Ao ser rastreada qual a origem de Momo, foram encontrados indícios que ela vem de páginas de trolls** com um caráter sensacionalista e imagens aleatórias esperando para serem clicadas.

A notícia falsa da vez traz a preocupação de pais e educadores sobre relatos de choros das crianças influenciadas por trolls da internet e a imagem de Momo, que sem constatação confirmada, estaria aparecendo em vídeos do YouTube Kids com o objetivo de ensinar as crianças a se matarem, o fato é que o YouTube declarou que não há evidências da aparição de Momo em nenhum vídeo de sua plataforma.

Vídeo contraindicado e riscos no YouTube

No entanto, o repórter Phillippe Watanabe da Folha de S.Paulo relatou que em uma busca no Google sobre Momo, localizou um vídeo de animação, que depois de alguns minutos, foi interrompido com imagem de um homem que dá indicações sobre automutilação, em inglês. Havia um alerta que o vídeo era contraindicado para crianças e sobre os possíveis riscos do YouTube.

Especialista diz que o pânico gerado pelo Momo é um eco do jogo Baleia Azul, ocorrido em 2017, ou podemos dizer que uma história falsa acabou virando realidade com a atenção da mídia. Relata ainda que mostrar o conteúdo ou divulgar a história na tentativa de alertar as crianças sobre os perigos, tem o efeito contrário, diz o especialista: “Quanto mais os pais divulgam, mais o boato ganha força. Se ninguém divulgasse, o risco de que as crianças recebessem essas mensagens seria mínimo”.

Essa história me faz lembrar meus tempos de colégio em que tínhamos pavor de irmos ao banheiro por conta da “loura do banheiro”, que nunca ninguém viu, mas nos deixava apavorados. Era tudo boato, e olha que não havia internet naquele tempo. Conclusão, quem procura acha!

Fake news

Assim, reportagens sem nenhuma evidência ajudaram a espalhar pelo mundo o boato e o medo, são inúmeros os relados pelo mundo, por outro lado, veículos internacionais de comunicação avisaram que não passa de fake news, isso mesmo, notícia falsa.

Embora sem evidências, os comunicados de um colégio a pais de crianças e adolescentes, apresentaram a boneca Momo como uma isca plantada por criminosos para roubar dados pessoais e propor desafios que podem levar à morte, mesmo sem evidência do fato.

Pais também relataram o recebimento de vídeos em seus WhatsApps, com um conteúdo supostamente infantil, mas que em determinado momento aparecia a Momo, com imagens que incentivavam crianças a cortarem seus próprios pulsos.

O real perigo por trás dessa criatura não é o fato dela ser sobrenatural, mas sim o que ela pode fazer com seus dados, que podem ser vendidos ou usados para fazer ameaças à pessoa que está assustada. Então é importante não entrar em contato com esse número, e caso já tenha feito isso, não repasse ou continue a conversa.

Não está claro o quão disseminado o jogo está no Brasil, mas Rodrigo Nejm, da ONG Safernet, diz: "É mais uma isca usada por criminosos pra roubar dados e extorquir pessoas na internet".

Sociedade Brasileira de Pediatria

A Sociedade Brasileira de Pediatria indica que o uso diário de tecnologia seja limitado: no máximo de uma hora por dia para crianças entre dois e cinco anos, com acompanhamento e explicações dos pais. Já a Academia Americana de Pediatria indica que para crianças maiores de seis anos, deve-se colocar limites de tempo para consumo de telas.  

Uma pergunta de pais preocupados com seus filhos, é: como saber se tem algo errado acontecendo com meu filho nas redes? Alguns sinais são: crianças e jovens que passam por problemas como bullying, ou abuso na internet, costumam mudar a atitude. Assim, ansiedade, tristeza, variações de humor, mudanças no sono e na alimentação podem sinalizar que algo de errado está acontecendo.
 
*Meme é usada na internet para descrever um conceito de imagem, vídeo, GIFs e ou relacionados a humor que são espalhados na internet.

**Troll, na gíria da internet, designa uma pessoa cujo comportamento tende sistematicamente a desestabilizar uma discussão e a provocar e enfurecer as pessoas nela envolvida




TAGS :

    momo, crianças, fake news

Edson Toledo

Coordenador do serviço de atendimento a pacientes com tricotilomania no PRO-AMITI/IPq FMUSP. Supervisor clínico na UNIP. Psicólogo pela Universidade Metodista. Mestre em ciências pela Faculdade de Medicina da USP. Especialização em Terapia Cognitivo-comportamental pelo Ambulim/IPq FMUSP. Especialização em Psicologia Hospitalar pela UNISA



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