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Como fica a relação amorosa na era dos apps?

Eduardo Yabusaki 05/04/2019 PSICOLOGIA
Como fica  a relação amorosa na era dos apps?
Fonte: imagem Pixabay
Será que alguém pode fazer o outro feliz por inteiro?

Por Eduardo Yabusaki

Proponho refletir a respeito do que tem acontecido na esfera emocional e amorosa das pessoas, não como um fato isolado, mas sim como uma condição decorrente de todo um contexto que influencia e, por vezes, é determinante para a possibilidade ou não do estabelecimento de relacionamentos amorosos.

A tecnologia, têm sido e continuará como um fator contundente nas relações interpessoais, familiares e amorosas. Não basta ficarmos lamentando ou querendo responsabilizar uma realidade que nós mesmos criamos. Cabe a cada um analisar como permitirá, ou não, o como e o quanto, tais aplicativos e tecnologias, irão fazer parte da sua vida.

Certamente, com as relações cada vez mais relâmpago, ou seja, na mesma rapidez e intensidade que tudo acontece, tal qual se desfaz. A rapidez na desilusão e troca, sequer permitem etapas importantes de envolvimento que dão sentido à construção do se conhecer e intensificação dos sentimentos que dão sentido à relação.

Relações cada vez mais líquidas

Dessa forma, as relações cada vez mais líquidas, ou seja, inconsistentes e rápidas, acabam trazendo uma sensação de frustração e incompetência que acabam por abalar a confiança e autoestima e, assim, trazem um vazio afetivo.

Conhecer pessoas e se relacionar amorosamente é sempre uma premissa de estabelecer, em algum momento, um relacionamento mais significativo. Entretanto, o que temos observado é que a vivência de múltiplos ou sucessivos relacionamentos, acabam criando exatamente o inverso, ou seja,  uma falta de desenvolvimento afetivo e de aprofundamento emocional.

Nessas condições fica difícil a pessoa conhecer a fundo o par, fica no conhecimento superficial sem entrar em contato com todas as características virtuosas, ou não, e quando entra em contato com “defeitos” do outro, acaba por se decepcionar, com a inaceitação de tais características, rompe sem cerimônia.

Há sempre a expectativa da completude na busca pelo par ideal, entretanto, é sempre importante avaliar se isso é possível, afinal ninguém é perfeito.

Será que alguém pode fazer o outro feliz por inteiro?

Esta é uma pergunta retórica, pois não há uma resposta. Há sim que se avaliar e refletir sobre como penso sobre relacionamento e quais são minhas expectativas sobre quem procuro. Achar que alguém será capaz de te preencher por inteiro, pode ser um equívoco ou a chance de frustrações.

É importante pensarmos que por mais maravilhosas que as pessoas sejam, elas ainda assim, podem, aos nossos olhos, ter defeitos ou falhas que sejam significativas, podendo gerar frustrações e mágoas. Num âmbito genérico, creio que ninguém seja capaz de fazer o outro feliz por inteiro, primeiro que a felicidade é relativa àquele que vive e a sente, por ser um sentimento e um conceito pessoal, abstrato e subjetivo. Segundo que sempre dentro do relacionamento, irão ter os pontos positivos e outros não. O importante é avaliar se os pontos positivos  são predominantes no todo da relação.

O que é preciso para amar e ser amado?

Para amar e ser amado é preciso que ambos se sintam preenchidos afetiva e emocionalmente. A formulação de amor, que também é pessoal, abstrata e subjetiva, é de vivência e satisfação individual, mas é lógico que para amar e ser amado é preciso que haja troca de bons sentimentos e carinho entre as partes. Estas demonstrações são únicas de cada pessoa e de cada relacionamento. Não dá para ficar comparando ou desejando manifestações que fujam à peculiaridade de cada pessoa.

Relacionamento amoroso depende de dois pontos

O que sempre destaco é que o relacionamento amoroso depende fundamentalmente de dois pontos:

1. Convivência presencial, e não por meios virtuais. O olho-no-olho continua sendo e sempre será a principal interação num relacionamento a dois;

2. Tempo. A paixão é extremamente prazerosa, mas é preciso de tempo para que os sentimentos evoluam e assim aconteça o comprometimento entre as pessoas na construção do relelacionamento baseado no amor.

Valorize, desfrute e aproveite da convivência presencial. Estar com as pessoas é o maior processo de troca afetivo-emocional que pode existir e é insubstituível. Portanto, saia do seu smartphone e corra ao encontro da sua família, dos seus amigos e abra o coração. É assim que ele vai encontrar outro que venha da mesma forma aberto a experimentar e sentir afeto.

Viva as relações, de peito aberto, ou seja, receptivo e doando o que tem de mais precioso: seus sentimentos, afeto e amor. Ser feliz é transbordar em emoções em tudo que se vive, seja feliz!




TAGS :

    amor, relacionamento, whats app

Eduardo Yabusaki

Eduardo Yabusaki - Psicólogo e Sexólogo Especializado em Terapia Comportamental Cognitiva, Terapia de Casal e Terapia Sexual. Coordenador do Curso de Sexologia Clínica ministrado em diferentes cidades há mais de 15 anos. Docente convidado do Curso de Fromação em Sexologia Clínica de BH. Responsável pelo www.vidadecasalbh.com.br



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