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Relacionamentos líquidos: fragilidade nos vínculos; entenda

Andrea Lorena 07/02/2019 PSICOLOGIA
Relacionamentos líquidos: fragilidade nos vínculos; entenda
Fonte: Google Imagens
Torna-se cada vez mais complicado manter um relacionamento sólido num mundo que te empurra constantemente ao líquido

Por Andrea Lorena

Você já deve ter ouvido falar do termo “amor líquido” cunhado pelo sociólogo Zygmunt Bauman (1925-2017). Seu livro de mesmo nome discorre sobre a fragilidade atual dos relacionamentos – sejam eles amorosos, familiares e amizades.

A sociedade mudou e nós mudamos junto com ela. Cada vez mais, os relacionamentos têm se tornado mais fugazes devido à necessidade de satisfação imediata e da facilidade desta. Com a mesma rapidez que se iniciam novos relacionamentos, eles terminam. Basta um clique: “block”! E pronto, não há mais necessidade de contato, não há necessidade de dar satisfação, simples assim. Apesar das pessoas estarem mais “conectadas”, estão se relacionando menos... bem menos.

Isso fica bem claro no nosso dia a dia na clínica psicológica. É muito comum queixas dos pacientes a respeito da fragilidade das relações atuais. Isso acaba trazendo muita angústia, tristeza e ansiedade.

O que percebo é que a grande maioria parece ter um medo enorme do compromisso e das responsabilidades que o acompanham. Afinal, estar num relacionamento dá trabalho: o indivíduo (ao menos teoricamente) deveria dar atenção e carinho para o parceiro, ao mesmo tempo em que cuida de si, das suas necessidades e frustrações.

Parece difícil, não é mesmo? E assim, estar “preso” num relacionamento pode atrapalhar meus planos e parece que é mais fácil se conectar e desconectar do que deixar de “curtir a vida adoidado”.

Vivemos numa era onde o que importa é somente o “eu”, de uma maneira extremamente egoísta, onde o que mais importa é a quantidade de likes e seguidores. Ou seja, quantidade e não qualidade.

Torna-se cada vez mais complicado manter um relacionamento sólido num mundo que te empurra constantemente ao líquido. Se você não quer surfar nessa onda, tente se conectar com você mesmo, desenvolva o autoconhecimento e questione os seus valores. Conheça-se, só assim o medo de ser relacionar (no sentindo real da palavra) irá diminuir e você poderá se relacionar e conectar com o outro de forma mais segura.

Vya Estelar Responde

Vya Estelar quer colocar você, querido leitor(a), mais perto ainda de nós. Esse profissional irá responder dúvidas enviadas por você sobre um determinado tema. A psicóloga Andrea Lorena responderá questões ligadas ao amor patológico, passional e ao ciúme excessivo. Os e-mails serão selecionados e editados de acordo com critério editorial do Vya Estelar, já que não será possível responder a todos. Seu nome e e-mail serão preservados.



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TAGS :

    amor, psicologia, comportamento

Andrea Lorena

Andrea Lorena é psicóloga. Doutoranda pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Possui mestrado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). É coordenadora dos setores de pesquisa e tratamento do Amor Patológico e Ciúme Excessivo do Ambulatório Integrado dos Transtornos do Impulso (PRO-AMITI) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. www.psicologiaecognicao.com



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