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Afasia: a dificuldade em se comunicar

Elisandra Vilella G. Sé 21/08/2018 SAÚDE E BEM-ESTAR
Afasia: a dificuldade em se comunicar
Fonte: imagem Pixabay
Saiba como esse problema na alteração da linguagem oral e escrita torna-se um problema de saúde para o idoso

Por Elisandra Villela Gasparetto Sé

A afasia é uma alteração de linguagem oral e/ou escrita decorrente de lesão cerebral devido geralmente a acidentes vasculares cerebrais e/ou lesões neurológicas por traumas ou tumores cerebrais.

O acidente vascular cerebral pode ter causas variadas, geralmente por hipertensão, diabetes, tabagismo e problemas cardiovasculares. A afasia compromete a produção e a compreensão da linguagem, e por derivar de lesões cerebrais, dependendo da extensão da lesão, pode ser mais grave ou não.

Na literatura clássica as afasias se dividem em dois tipos: Não fluentes (motores) e fluentes (sensoriais). As afasias não fluentes se caracterizam por problemas de expressão (como alterações fonéticas, estereotipias, disprosódicas, parafasias que são trocas de palavras, fala telegráfica, dificuldades na gramática e falta de iniciativa na conversação) e também se mostram alterações de linguagem escrita.

As afasias fluentes são caracterizadas por problemas de compreensão, os aspectos articulatórios e motores estão preservados e as alterações de linguagem se apresentam mais nos aspectos semânticos (significados das palavras) como dificuldades de nomear, evocar e ou selecionar palavras, a pessoa tem aquela sensação de que a palavra está na ponta da língua; a pessoa “perde o fio da meada” numa conversação e nas narrativas pode ficar “dando voltas” intermináveis no assunto. Também pode comprometer o uso de gestos e a linguagem escrita.

Uma pessoa que teve Acidente Vascular Cerebral (AVC) e tem como sequela a afasia, tem sua identidade, a afetividade e a vida social bastante afetada. A afasia tem um impacto importante na vida pessoal e familiar do paciente. Após o episódio do AVC e as sequelas, é importante que o paciente tenha um acompanhamento terapêutico fonoaudiológico, psicológico e às vezes fisioterapêuticos devido aos comprometimentos motores.

É muito importante proporcionar uma qualidade de vida ao paciente para que ele não desenvolva depressão. O paciente não pode se isolar, o acompanhamento terapêutico vai ajudá-lo a se adaptar na comunicação e nas interações sociais.

Na comunicação humana não existe o falante, o comunicador ideal; interagir com as outras pessoas no mundo é uma grande aventura. E se uma pessoa perde a capacidade de realizar com eficácia uma atividade rotineira: a interação social,  conversar, ler jornal, compreender o outro em um telefonema... Isso pode afetar a saúde mental e a vida prática do indivíduo.

Embora a incidência das lesões e sequelas neurológicas não seja pequena, a falta de informação a respeito das afasias ainda é grande. Muitos pacientes se deparam com a dificuldade de entendimento do diagnóstico, do prognóstico, do acompanhamento terapêutico e do enfrentamento prático diário da afasia.

Muitos afásicos sofrem preconceito linguístico, como por exemplo, sofrer isolamento e desinteresse por outras pessoas. As pessoas com afasia são estigmatizadas por que não dominam as normas de linguagem padrão, tanto na linguagem oral quanto na linguagem escrita. A afasia não pode ser encarada somente como um problema de linguagem, mas como um problema de saúde, uma questão social que merece ser estudada, discutida por equipes multidisciplinares.




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    afasia, significado, idoso, avc

Elisandra Vilella G. Sé

Fonaoudióloga pela Faculdade Tereza D'Ávila de Lorena (FATEA/USC) (1995), Mestre em Gerontologia pela Faculdade de Educação da UNICAMP (2003); Doutorado em Linguística - Área de Neurolinguística pelo Instituto de Estudos da Linguagem da UNICAMP (2011); Especialista em Educação em Saúde para Preceptores do SUS pelo Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio Libanês (2013); foi pesquisadora visitante na Associação Alzheiemr Portugal em Lisboa (2013); Coordenadora da ABRAZ - Associação Brasileira de Alzheimer - sub-regional Campinas e Jaguariúna.



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