DESTAQUES

Quando era pequena tinha 'síndrome do pânico'

Eduardo Ferreira Santos 28/03/2018 SAÚDE E BEM-ESTAR
Quando era pequena tinha 'síndrome do pânico'
Fonte: Google Imagens
Preconceito com remédio psiquiátrico deve ser avaliado

Por Eduardo Ferreira Santos

Depoimento de uma leitora:

TEXTO CONTINUA APÓS PUBLICIDADE



   

"Hoje tenho 21 anos. Quando eu era pequena tinha síndrome do pânico e há uns 3 meses atrás voltou de novo. Só que eu penso que vou morrer, que vou sentir saudades da minha família e do meu namorado... Mas sei que isso é coisa da minha cabeça. Eu às vezes consigo controlar e às vezes não. Não quero tomar remédio para tratar da síndrome, porque sei que é coisa da minha cabeça. Preciso muito de ajuda e conselhos."

Resposta: Muitas pessoas, inclusive crianças, podem apresentar um quadro chamado de "Transtorno de Ansiedade Generalizada" (TAG) que se caracteriza, entre outros componentes, a um estado permanente de medo e ansiedade, aparentemente sem causa externa nenhuma.

Há certo consenso entre os psiquiatras que esse quadro possa ter uma origem biológica, como uma disfunção e distribuição das chamadas catecolaminas, que são os neurotransmissores cerebrais.

Quando o estado de ansiedade atinge um pico elevado, ocorrem os chamados "Ataques de Pânico", que são caracterizados por grande angústia, pensamentos de morte (de si mesmo e de outros) e um descontrole emocional insuportável. Esses ataques duram pouco tempo, mas deixam a pessoa, que já é ansiosa, ainda mais alerta e preocupada, reiniciando o ciclo de ansiedade e angústia.

O tratamento envolve sim a utilização de medicações, pois, embora "seja coisa da sua cabeça", é exatamente a sua cabeça que está funcionando disfuncionalmente.

É claro que um bom acompanhamento psicoterapêutico possa melhorar o quadro, mas não vejo como fazer isso sem a utilização de uma medicação de base, isto é, algo que ajude a regularizar as atividades das catecolaminas.

Muita gente tem preconceito contra remédios psiquiátricos, mas, se bem indicados, são como outro medicamento qualquer. Por exemplo, por que não tomar antibiótico frente a uma infecção? Ou um analgésico quando se tem uma dor de cabeça?

São apenas preconceitos que devem ser reavaliados e perceber o benefício que essas medicações de nova geração possam trazer.

Atenção!
Este texto não substitui uma consulta ou acompanhamento de um médico psiquiatra e não se caracteriza como sendo um atendimento.

Vya Estelar Responde

Vya Estelar quer colocar você, querido leitor, mais perto ainda de nós. Esse profissional irá responder dúvidas enviadas pelos internautas sobre um determinado tema. O psiquiatra e psicólogo Eduardo Ferreira Santos responderá dúvidas e perguntas sobre os relacionamentos de uma maneira geral, sobre autoestima e conflitos emocionais. Os e-mails serão selecionados e editados de acordo com critério editorial do Vya Estelar, já que não será possível responder a todos. Seu nome e e-mail serão preservados.

ENVIAR PERGUNTA



TAGS :

    síndrome, pânico, criança, tratamento

Eduardo Ferreira Santos

Psiquiatra e psicoterapeuta. Obteve Titulo de Mestre em Psicologia Clínica pela PUC-SP e o de Doutor em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina na USP. Escreveu os seguintes livros sobre relacionamento amoroso: Casamento missão (quase) impossível; Ciúme: O medo da perda; Ciúme: O lado amargo do amor Mais informações: www.ferreira-santos.med.br



ENQUETE

Paulo Coelho diz que os grandes prazeres da vida são grátis. Você concorda?





VOTAR!
Vya Estelar - Qualidade de vida na web - Todos os direitos reservados ®1999 - 2018
O portal Vya Estelar não se responsabiliza pelas informações e opinião de seus colunistas emitidas em artigos assinados.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação.