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Síndrome de Guillain-Barré: doença rara acometeu Ronnie Von quando jovem

Juliana Prestes Mancuso 04/01/2018 SAÚDE E BEM-ESTAR
Síndrome de Guillain-Barré: doença rara acometeu Ronnie Von quando jovem
Fonte: Google Imagens
Fisioterapia desempenha papel importante no tratamento da síndrome de Guillain-Barré

Por Juliana Mancuso
 
A síndrome de Guillain-Barré é definida como uma *polineuropatia aguda ou subaguda, que ocorre em 60% dos casos após algum distúrbio infeccioso, sendo 50% desses de etiologia (causa) viral. A incidência é de um a dois casos em cada 100 mil pessoas.

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É uma patologia que afeta predominantemente o sexo masculino, sendo mais frequente com o avanço da idade, se caracterizando como uma doença *desmielinizante das fibras do sistema nervoso periférico, de etiologia desconhecida, mas provavelmente autoimune.

O cantor e apresentador Ronnie Von foi acometido pela síndrome de Guillain-Barré, tida como rara. Segundo o cantor, o médico que o atendia, quando ele tinha apenas 33 anos e foi diagnosticado com a doença, chegou a desenganar Ronnie e avisar a família.

A síndrome de Guillan-Barré desenvolve no organismo três semanas após uma doença virótica. Ela pode aparece após um resfriado, ou após uma infecção bacteriana. Comumente a infecção viral antecede a deficiência motora em duas a três semanas. Observa-se que pelo menos 50 a 75% dos pacientes atingem seu ápice na segunda semana, 80 a 92% até a terceira semana e 90 a 94% até a quarta semana. A insuficiência respiratória com a necessidade de ventilação mecânica ocorre em até 30% dos pacientes nesta fase.

A síndrome é definida como uma **polineuropatia desmielinizante inflamatória aguda, caracterizada por paresia ou paralisia que afeta mais de um membro, geralmente simétrica, associada à perda dos reflexos tendinosos.

A patologia frequentemente se desenvolve após alguma infecção, principalmente de origem viral. Afinal, dois terços dos pacientes relatam um histórico de infecção prévia aos sintomas neurológicos, sendo as mais comuns as gastroenterites e aquelas que afetam o trato respiratório.

Os agentes infecciosos mais frequentes associados a síndrome são o Campylobacter jejuni, Cytomegalovirus, Epstein-Barr, Mycoplasma pneumoniae, HIV, Helicobacter pylori, vírus da varicela-zoster,  Haemophilos influenzae e pelo Aeds Aegypt. Outras causas podem incluir vacinações, doenças linfomatosas, doenças autoimunes e procedimentos cirúrgicos.

A síndrome de Guillain-Barré pode atingir todos os grupos etários, em especial com o avançar da idade. Além disso, pode ser desencadeada mais comumente através da infecção com Campylobacter jejuni (frequentemente encontrada em aves mal cozidas), dentre outros.

Nota-se que os fatores de risco relacionados ao mau prognóstico da patologia são a progressão rápida da doença (com menos de sete dias), amplitude de potencial da neurocondução motora inferior a 20% do limite normal, diarreia precedente, doença cardiorrespiratória preexistente, indivíduos com idade acima de 60 anos, necessidade de ventilação mecânica por tempo prolongado e tratamento tardio.

Comumente a síndrome de Guillain-Barré é uma doença monofásica que se caracteriza por debilidade progressiva com duração de quatro semanas, um período de estabilidade (platô) e finalmente uma última fase de recuperação que pode ter a duração de meses. O quadro pode apresentar evolução em poucas horas ou mesmo em alguns dias ou semanas, sendo que o seu grau de acometimento pode ter uma variação de simples fraqueza de membros inferiores até um quadro de quadriplegia.

Sintomas mais comuns:

- Fraqueza muscular que inicia nos membros inferiores após se estendendo para os membros superiores, face e tronco, podendo atingir a musculatura relativa a respiração levando a necessidade de ventilação mecânica (cerca de 25% dos casos)
- Paralisia
- Falta de sensibilidade
- Formigamento
- Diminuição dos reflexos
- Dor com início nos membros inferiores e após afetando todo o corpo
- Distúrbios no sistema nervoso autônomo, podendo causar taquicardia, retenção de urina, hipotensão postural, arritmia cardíaca, transpiração, hipertensão, inclusive alterações do controle vesical e intestinal
- Músculos respiratórios afetados
- Sintomas sensitivos, como dor neurogênica, queimação e formigamento distal
- Alteração da deglutição
- Paralisia facial, podendo ser bilateral
- Insônia
- Dificuldade de se comunicar
- Imobilismo
- Trombose venosa
- Deficiência nutricional
- Formação de úlceras de pressão
- Alteração dos movimentos dos olhos
- Déficit de equilíbrio e incoordenação associada a pálpebra caída e perda dos reflexos

Na maior parte dos casos são verificados, precedendo os sintomas neurológicos, a presença de mal-estar, febre, sintomas respiratórios ou gastrointestinais.

Observa-se que a maior parte dos indivíduos tem uma boa evolução, podendo levar alguns meses para ter uma recuperação completa, mas em torno de 20% dos pacientes podem permanecer com alguma deficiência, sendo 15% algum grau de déficit motor ou sensorial e 5% déficits severos.

Cada paciente tem uma evolução variável, porém a hospitalização imediata de todos que são afetados pela síndrome é imprescindível para a prevenção das complicações que promovem uma deterioração rápida podendo levar até a falência respiratória e consequente óbito. Por isso, a fisioterapia vai ser de extrema importância no tratamento, pois a necessidade de cuidados intensivos é evidente com os recursos utilizados na fisioterapia motora e respiratória.

O tratamento fisioterapêutico é imprescindível em várias fases da doença, atuando com fisioterapia motora e respiratória, com condutas baseadas nas possíveis complicações advindas da síndrome de Guillain-Barré.

Afinal a intervenção fisioterapêutica auxilia no processo de recuperação, maximizando as funções e diminuindo as complicações decorrentes dos déficits neurológicos residuais, auxiliando na redução ou eliminação da limitação funcional ou incapacidade, além de ajudar na produção do líquido sinovial, diminuição da sintomatologia álgica, conservação da elasticidade muscular e proporcionar o aperfeiçoamento da coordenação motora para a melhoria da funcionalidade dos movimentos articulares, entre outros.

Contudo, objetiva o restabelecimento da força muscular de forma mais precoce possível minimizando as incapacidades, e procura promover o retorno às atividades de vida diária do paciente.

Com a evolução do tratamento atua-se com atividades de fortalecimento muscular e melhora da *** propriocepção.

Como o paciente com síndrome de Guillain-Barré, principalmente na fase de internação em terapia intensiva, pode ser acometido de inúmeros problemas e complicações da função pulmonar, podem acabar necessitando de suporte em ventilação mecânica através de via aérea artificial, sendo assim é importante a indicação de fisioterapia intensiva, inclusive devido ao comprometimento de outros sistemas.

Deve-se atentar para o fato de que a fisioterapia também é extremamente necessária para evitar a atrofia muscular em casos mais prolongados, evitando sequelas motoras.

Dessa forma, o fisioterapeuta se torna imprescindível com seus recursos terapêuticos, não somente no tratamento da patologia, mas principalmente para a prevenção de sequelas e complicações decorrentes. O fisioterapeuta vai atuar tanto na fase aguda quanto na fase de recuperação. Já na fase de recuperação, após a internação, os objetivos serão a melhora da amplitude de movimento, ganho de força muscular, recuperação do controle de tronco e coordenação motora, ganho de equilíbrio e da realização de transferências, treino de marcha e propriocepção, e recuperação das atividades de vida diária (AVDs).

É importante sempre recordar que as particularidades de cada paciente devem ser observadas, sempre realizando uma reavaliação em cada atendimento, pois a síndrome de Guillain-Barré tem a característica de evoluir de forma rápida, assim o quadro patológico do paciente pode sofrer alterações em questão de minutos.
 
* Desmielinizante: que remove ou destrói a bainha de mielina de nervo ou trato nervoso
 
 ** Polineuropatia é um distúrbio neurológico que ocorre quando simultaneamente muitos nervos periféricos por todo o corpo começam a não funcionar corretamente. Pode ser aguda e aparecer sem nenhum aviso, ou pode ser crônica e se desenvolver gradualmente ao longo do tempo.

 *** propriocepção: capacidade em reconhecer a localização espacial do corpo




TAGS :

    síndrome, Guillain-Barré, fisioterapia, ronnie, von

Juliana Prestes Mancuso

É formada pela Universidade Anhembi Morumbi, especializada em Fisioterapia Ortopédica e Traumatológica pelo Instituto Cohen de Ortopedia e Medicina Esportiva, Fisiologia do Exercício pela Universidade Veiga de Almeida, Fisioterapia do Sistema Musculoesquelética pela Universidade São Marcos e em acupuntura e medicina chinesa pelo Centro Científico Cultural Brasileiro de Fisioterapia. É responsável pelo site e grupo de discussão Fisioterapeutas Plugadas.



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