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Mente e cérebro: o potencial das funções cognitivas

Marta Relvas 22/09/2017 SAÚDE E BEM-ESTAR
Mente e cérebro: o potencial das funções cognitivas
Fonte: imagem Pixabay
“...hemisfério esquerdo é muito mais relacionado à cognição e consciência, ou seja, intelectual...”

por Marta Relvas  

O córtex cerebral é a camada mais alta e externa do encéfalo, ou seja, dos dois hemisférios. Trata-se de uma capa de substância cinzenta de mais ou menos 0,3 centímetros de espessura.

Os sulcos e fissuras do córtex cerebral é que definem suas regiões em, por exemplo, polo frontal, polo temporal, parietal e occipital. O polo frontal é um lugar onde se concentra ali, enorme variedade de importantes funções, incluindo o controle de movimentos e de comportamentos necessários à vida social, como a compreensão dos padrões éticos e morais e a capacidade de prever as consequências de uma atitude.

O polo parietal recebe e processa as informações dos sentidos, enviadas pelo lado oposto do corpo. O polo temporal está permanentemente envolvido em processos ligados a audição e memorização, enquanto o polo occipital é o centro que analisa as informações captadas pelos olhos e as interpreta mediante um intrincado processo de comparação, seleção e integração.

O córtex pré-frontal, considerado uma formação recente na evolução das espécies e a sede da personalidade e da vida intelectiva, modula a energia límbica e tem a possibilidade de criar comportamentos adaptativos adequados ao tomar consciência das emoções.

Na ausência desta parte do córtex, as emoções ficam fora de controle, são exageradas e persistem após cessar o estímulo que as provocou, até que se esgote a energia nervosa. Por outro lado, o sistema límbico através do hipotálamo, pode exercer um efeito supressor ou inibidor sobre o neocórtex, inibindo momentaneamente a cognição e até o tônus muscular tônico, como se observa nas fortes excitações emocionais.

Esse embotamento de emoções se manifestava, inclusive, como uma espécie de cegueira emocional. Os animais não se mobilizavam com objetos familiares nem com os próprios familiares. Ao mesmo tempo eles apresentaram uma contundente tendência oral, levando à boca todos objetos.

A área pré-frontal se desenvolveu bastante, na escala filogenética, com o aparecimento dos mamíferos, sendo particularmente desenvolvida no ser humano e, curiosamente, em algumas espécies de golfinhos. Entre os seres humanos essa região do cérebro começa a adquirir maturidade suficiente entre os 4 e 6 anos de idade.
Mas a área pré-frontal não faz parte do sistema límbico. Entretanto, as intensas conexões que mantém com o tálamo, amígdala e outras estruturas subcorticais límbicas, justificam seu importante papel na expressão dos estados emocionais comportamentais, pela manutenção da atenção e pelo controle do comportamento emocional.

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A mais importante função associativa do polo pré-frontal parece ser, efetivamente, integrar informações sensitivas externas e internas, pesar as consequências de ações futuras para efetuar o planejamento motor de acordo com as conclusões.

Características do córtex cerebral

A localização das diversas funções em áreas específicas do córtex não implica que uma determinada função seja mediada exclusivamente por uma única região cerebral, mas sim que as áreas de associação cortical, que são as áreas pré-frontal, parieto-têmporo-occipital e límbicas, integram as informações somáticas com o planejamento do movimento. Suas funções prioritárias são:

Córtex pré-frontal: planejamento e execução das ações motoras complexas.

Córtex parieto-têmporo-occipital: integração das funções sensoriais com a linguagem

Área límbica: integração da memória com aspectos comportamentais relacionados a memória e motivação.

Córtex pré-motor:  início da ação.

- Áreas corticais superiores sensitivas conectadas diretamente a áreas primárias sensitivas projetam para o córtex pré-motor, que projeta para o córtex motor primário.

- Áreas corticais superiores sensitivas não conectadas diretamente a áreas primárias sensitivas projetam para o córtex pré-frontal, que projeta para o córtex pré-motor.

O córtex parieto-têmporo-occipital recebe projeções de áreas somáticas superiores visuais e auditivas, processando a informação sensitiva envolvida
com a percepção e a linguagem

O córtex límbico recebe projeções de áreas sensitivas superiores e projeta para outras regiões corticais, dentre elas o córtex pré-frontal.

No cérebro normal, dotado de inúmeras e quase infinitas interconexões, a interação entre os dois hemisférios é tão integrada que não se pode dissociar claramente suas funções específicas. Ambos se auxiliam na efetuação de tarefas várias. Nenhuma parte do sistema nervoso funciona isoladamente, de tal forma que o cérebro pode fazer com que as funções das áreas lesadas sejam assumidas por outras áreas sadias.

É importante sabermos com que idade se desenvolve, mais satisfatoriamente na pessoa, seus polos frontais e pré-frontais (depois dos 12 anos). O córtex pré-frontal do hemisfério esquerdo é muito mais relacionado à cognição e consciência, ou seja, intelectual, que o seu homólogo do lado direito. Os argumentos racionais das terapias cognitivas procuram fazer a pessoa reaprenderem a lidar com suas emoções através da cognição, como uma alternativa racional das exigências da angústia detonada, seja pelo córtex frontal direito ou Sistema Límbico.

Referências Bibliográficas:
Ballone GJ - Sentimentos e Emoções - in. PsiqWeb, Internet, disponível em www.psiqweb.med.br, revisto em 2005
Rotta, Neura Tellechea, Ohleweiler, Lygia; Riego, Rudimar dos Santos. Transtornos da Aprendizagem – Abordagem Neurobiológica e Multidisciplinar. Porto Alegre, Artmed 2006.




TAGS :

    mente, cérebro, funções, cognitivas, neurociências

Marta Relvas

É Bióloga, Dra e Ms em Psicanálise, Neuroanatomista, Neurofisiologista, Psicopedagoga e Especialista em Bioética. Tem certificação internacional em Educação na Abordagem Reggio Emília na Itália e Title in Education Neurosciences and childhood and adolescence learning of Erasmus+ University – Europe – Portugal. É Membro Efetiva da Sociedade Brasileira de Neurociência e Comportamento, e da Associação Brasileira de Psicopedagogia. Autora de livros e DVDs sobre Neurociência e Educação pela Editora WAK e Editora Qualconsoante de Portugal. Professora Universitária da AVM Educacional / UCAM, UNESA - RJ e Professora Pesquisadora convidada no curso de Pós-graduação de Neurociência do IPUB/ UFRJ. Coordenadora do Programa de Pós-graduação de Neurociência Pedagógica na UCAM / AVM Educacional. Palestrante no Brasil e no exterior.



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