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Até os bebês têm personalidade

Aurea Caetano 25/07/2017 PSICOLOGIA
Até os bebês têm personalidade
Fonte: imagem Pixabay
A natureza e a criação ou o meio ambiente em constante inter-relação vão determinar quem somos

por Aurea Caetano

Os estudos da neurociência têm trazido conhecimentos muito importantes acerca dos primeiros meses de vida de um bebê. Já conhecíamos a importância das primeiras experiências com a mãe e/ou cuidadores do ponto de vista da relação psicodinâmica, mas essa importância tem sido corroborada e acentuada do ponto de vista científico.

Piaget, pensador do desenvolvimento infantil, já dizia que nascemos seres biológicos, mas a relação com nossas raízes sociais vai moldando o ser que seremos e a mente que desenvolveremos. Sabemos hoje em dia, a partir dos estudos da Epigenética, que a expressão genética de um ser humano é modulada pela relação com o meio ambiente, daí a importância fundamental das primeiras relações com a mãe e/ou cuidadores. Genes formatam apenas em linhas gerais as funções mentais e comportamentais, a herança dá certas direções, mas fatores ambientais, principalmente os relativos ao cuidador primário, afetam o modo mediante o qual os genes se expressam.

O que sabemos hoje sobre a plasticidade neural nos lembra que uma dada estrutura do cérebro não deve sua natureza apenas às influências das condições do meio mas também, da mesma forma, às qualidades da matéria viva. A constituição dada de um organismo é, por um lado, um produto de condições externas, e por outro, determinada pela natureza intrínseca da matéria viva. Isto é, natureza e a criação ou o meio ambiente em constante inter-relação vão determinar o ser humano que somos.

Jung e a mente da criança

A psique (mente) da criança no seu estado pré-consciente não é uma tábula rasa: está pré-formada de uma forma individual reconhecível e está equipada com todos os instintos humanos, assim também como as fundações a priori das funções superiores. O ego surge a partir desta base complicada. (JUNG, 16, par....)

Isto é, aqui também a ideia ou noção de um ego, ou centro da consciência para utilizar a terminologia junguiana, que vai se estruturando e desenvolvendo a partir da relação entre essa estrutura pré-formada ou "natureza" que contém todas as possibilidades do que é humano e o meio ambiente no qual vive. E nisto que costumamos chamar de meio ambiente, estão todas as infinitas variáveis que acompanham uma existência aqui, agora no mundo.

Questões tais como a localização geográfica do lugar de nascimento, tipo de alimentação, oferta cultural, escolaridade dos pais, tipo de comunidade, vínculos familiares, posição socioeconômica da família, vão influenciar o ser humano em desenvolvimento. Não é possível medir a importância ou nível de determinação de cada um desses fatores, mas é certo que cada um deles vai ser importante na formação da personalidade em questão.

A relação desses fatores, junto com a carga genética com que viemos ao mundo, vai fomentar a construção do indivíduo único que é cada um de nós. Pensando e percebendo o mundo desta forma fica clara a impossibilidade de existência de dois seres humanos iguais. Cada um de nós é igual e diferente ao mesmo tempo. Como reconhecer e valorizar essa igualdade e ao mesmo tempo reconhecer e valorizar a diferença?




TAGS :

    bebês, personalidade, psicologia, junguiana, ego

Aurea Caetano

É psicóloga formada pela PUC-SP, trabalha em consultório com atendimento de adolescentes, adultos e casais. Mestranda em Psicologia Clínica na PUC-SP, analista junguiana formada pela SBPA- IAAP (Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica).



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